Os arqueólogos Maria e Manuel Maia foram homenageados, a título póstumo, no passado sábado, 31 de maio, em Castro Verde, numa iniciativa que pretendeu “valorizar o trabalho” de ambos “para a definição da história local e do país”.
A proposta de homenagear Maria e Manuel Maia, que eram casados, “partiu de um grupo de cidadãos”, formado por Carlos Júlio, Fernando Caeiros, José Francisco Colaço Guerreiro, Joaquim Rosa e Samuel Melro, e teve o apoio da Câmara de Castro Verde e da União de Freguesias de Castro Verde e Casével.
Para o autarca António José Brito, Maria e Manuel Maia foram “duas personalidades importantes” para o concelho, que lhes “deve estar agradecido”. “[Os dois] trabalharam e investigaram muito”, tendo sido “a grande energia que criou o Museu da Lucerna”, frisou.
O edil de Castro Verde enalteceu ainda o facto de a homenagem póstuma aos dois arqueólogos ter partido de “de uma ideia e de um impulso criado por um conjunto de cidadãos”.
“A eles ninguém lhes pode negar não só as descobertas fantásticas com que se cruzaram, mas como terem depois promovido esse conhecimento”, disse Samuel Melro, porta-voz do grupo de cidadãos que propôs a homenagem a Maria e Manuel Maia.
Também o presidente da União de Freguesias de Castro Verde e Casével, António José Paulino aplaudiu a “iniciativa cidadã” que esteve na origem na homenagem ao casal Maia.
“Quando criticamos a sociedade por ser muito individualista e dar pouco à sua comunidade, temos aqui um bom exemplo de como é possível congregar vontades e fazer esta bonita homenagem”, disse.
Em representação do grupo de cidadãos que propôs o tributo a Maria e Manuel Maia, o arqueólogo Samuel Melro aproveitou a ocasião para sublinhar tratar-se de uma homenagem ao “percurso de vida” de “duas figuras ‘chave’ na arqueologia portuguesa nos últimos 50 anos”.
“Não eram pessoas fáceis, […] mas a eles ninguém lhes pode negar não só as descobertas fantásticas com que se cruzaram, mas como terem depois promovido esse conhecimento”, reforçou.
Presente na cerimónia, a sobrinha do casal de arqueólogos, Maria Maia, agradeceu “ao grupo de cidadãos que teve a magnífica atitude” de fazer a homenagem póstuma aos seus tios. “Que este marco e este dia sejam o início de uma investigação que deve ser alargada e começada nas crianças e em todas as escolas do município de Castro Verde e limítrofes”, desafiou.
A homenagem a Maria e Manuel Maia incluiu a colocação de uma peça escultórica, da autoria de Joaquim Rosa, no Largo Vítor Prazeres, em frente ao Museu da Lucerna, que os dois arqueólogos fundaram e onde foram conservadores.
“As figuras ali representadas representam exatamente isso, esse legado. No fundo, digamos que havia um amor comum, um amor que levou a construir todo este conhecimento e tudo aquilo que estamos aqui hoje a homenagear”, explicou o designer natural de Castro Verde.
Maria e Manuel Maia “trabalharam e investigaram muito”, tendo sido “a grande energia que criou o Museu da Lucerna”, frisou o autarca António José Brito
Maria Adelaide Figueiredo Garcia Pereira Maia morreu em 2011, aos 64 anos, vítima de doença prolongada, 10 anos antes da morte de Manuel Maria da Fonseca Andrade Maia, em 2021, com 76 anos, também vítima de doença prolongada.
Ambos formados em História, Maria e Manuel Maia foram responsáveis por diversas escavações arqueológicas, com destaque para as realizadas no concelho de Tavira, no distrito de Faro, que permitiram a descoberta, em 1996, de uma peça do período islâmico conhecida como ‘Vaso de Tavira’.
Os dois arqueólogos dinamizaram igualmente diversas campanhas arqueológicas no concelho de Castro Verde, que deram origem à descoberta de um depósito de lucernas romanas na freguesia de Santa Bárbara de Padrões.
Este achado acabou por dar origem ao Museu da Lucerna, na vila de Castro Verde, propriedade da cooperativa cultural Cortiçol, que conta cerca de 20 mil peças e do qual foram ambos conservadores.












