Dois médicos do concelho de Odemira foram detidos esta quarta-feira, 8, pela Polícia Judiciária por suspeita de participação em fraude ao Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Segundo apurou o “CA”, os dois clínicos estão aposentados há pouco tempo, sendo que ambos foram detidos no âmbito da operação “Consulta Vicentina”, realizada em conjunto pela Inspecção Geral das Actividades em Saúde (IGAS), Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária (PJ) e o Infarmed, entidade reguladora do medicamento em Portugal.
De acordo com as autoridades, em causa está um esquema de falsa prescrição de medicamentos a envolver médicos que trabalhavam em unidades do SNS, consultórios e farmácias: os remédios não chegavam a ser vendidos a qualquer utente, mas o Estado pagava as respectivas comparticipações.
A acção de fiscalização envolveu buscas a farmácias e unidades do SNS devido à suspeita de fraude, tendo sido detida uma dezena de pessoas (seis homens e quatro mulheres, entre as quais uma francesa e uma colombiana), das quais seis exercem medicina.
De acordo com o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), foram realizadas 33 buscas (entre domiciliárias, não domiciliárias e a consultórios médicos) durante a operação, que tinha por finalidade apurar a veracidade de alegadas prescrições fraudulentas no SNS.
Durante a “Consulta Vicentina”, que decorreu entre as zonas de Lisboa e Algarve, foi ainda apreendido diverso material relacionado com a prática da atividade criminosa em investigação e foram constituídas arguidas outras pessoas singulares e colectivas.
O valor da fraude ainda está a ser calculado, mas uma fonte da PJ citada pelo jornal “i” aponta para “vários milhões” de euros.
Segundo o mesmo jornal, apesar de as farmácias envolvidas estarem “em sítios pequenos”, tinham “facturação semelhante à das grandes cidades”, detalhe terá levado o Ministério da Saúde a denunciar as suspeitas ao DCIAP.








