Descoberta necrópole dos séculos I e II a.C. em Mértola

Câmara de Mértola - escavação de necrópole (out 2026)

Os trabalhos arqueológicos realizados em Mértola, no âmbito da empreitada de criação da “cintura verde” da “vila museu” revelaram uma nova área de necrópole que remonta aos séculos I e II a.C..

Em comunicado enviado ao “CA”, a Câmara de Mértola explica que “os trabalhos de acompanhamento arqueológico na obra da empreitada da ‘cintura verde’ permitiram identificar uma nova área da Necrópole do Cerro das Neves”.

“Esta descoberta vem complementar a intervenção já realizada no Largo da Feira, confirmando que se trata do mesmo complexo funerário de cremação, mas revelando agora uma dimensão e abrangência cronológica significativamente superiores às conhecidas até à data”, acrescenta.

De acordo com o município, os trabalhos iniciaram-se no passado dia 13 de agosto e resultaram, “até ao momento, na escavação de 46 sepulturas de cremação”.

“O grande destaque deste novo setor reside na identificação de um núcleo associado ao período romano-republicano”, que remonta aos séculos II a I a.C. (antes de Cristo), “que se junta aos vestígios da Idade do Ferro já documentados na área”, indica.

No comunicado, a Câmara de Mértola adianta que, de momento, está a ser iniciada uma “nova área de escavação”, em que os dados preliminares “apontam para a possível identificação de uma sepultura ainda mais antiga”.

O estudo em curso “sugere poder recuar ao século VII a.C., indiciando a presença de um setor mais recuado da necrópole”, pode ler-se.

Para a autarquia, “esta nova área assume uma importância acrescida para o património do concelho, pois documenta materialmente um longo período de transição e a evolução dos rituais funerários entre a Idade do Ferro e o início do processo de romanização na região”.

Por isso, reforça, o município e as equipas de investigadores vão “conjugar os dados arqueológicos de campo com outras especialidades científicas”, por forma a “potenciar” os resultados obtidos.

“Esta abordagem interdisciplinar, assente nas arqueociências, incluirá trabalhos de gabinete e análises laboratoriais para aprofundar, validar e consolidar o conhecimento sobre este importante achado”, conclui a autarquia.

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