Utentes de Ferreira do Alentejo contestam suspensão de abastecimento de água potável a montes isolados

Utentes de Ferreira do Alentejo contestam suspensão de abastecimento de água potável a montes isolados

O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos de Ferreira do Alentejo contesta a suspensão do abastecimento de água potável a montes isolados do concelho assegurada pela Câmara, que garante que ninguém com necessidades ficará sem água.
"Negar água é negar a vida, porque as pessoas precisam de água para viver", disse à Agência Lusa Paulo Conde, do movimento, lamentando a suspensão do serviço a montes da freguesia de Ferreira do Alentejo decidida pela autarquia socialista.
Segundo o também deputado da CDU na Assembleia Municipal de Ferreira do Alentejo e um dos afectados, as pessoas que vivem nos montes isolados daquela freguesia não têm acesso a água da rede pública.
Por isso, têm depósitos que, uma vez por semana, à sexta-feira, eram abastecidos gratuitamente com água de um furo e através de autotanques do Município.
A autarquia decidiu suspender o serviço "sem avisar" e os utentes souberam da decisão através de um funcionário, o qual, durante a distribuição desta semana, que decorreu excepcionalmente na quinta-feira, 28 de Junho, informou que aquele seria o último abastecimento de água fornecido pelo Município, contou.
Em declarações à Lusa, o vereador da Câmara de Ferreira do Alentejo, Manuel Canilhas Reis, explicou que o serviço, prestado "a cerca de 10 montes", foi suspenso porque "havia usos indevidos da água potável fornecida", ou seja, "não era para consumo humano, mas para regar e dar de beber a animais".
Por outro lado, o serviço "extravasa as competências" da autarquia, que tem de "reduzir custos", e há pessoas que "têm uma rede de distribuição de água junto dos montes, mas não querem fazer a ligação, porque assim terão custos", disse.
"Ninguém com necessidades vai ficar sem água para consumo humano", garantiu, explicando que os interessados terão de voltar a pedir o serviço e provar que não têm condições para se abastecerem por conta própria, explicou.
O Município avaliará os pedidos e voltará a abastecer os montes onde moram pessoas com necessidades, como idosos com baixas reformas, "mas com uma dotação média semanal por pessoa e unicamente para consumo humano", disse.
O Município fornecia "cerca de dois a três mil litros de água por semana a um monte", contou, frisando que "é impossível uma família consumir tanta água" e havia casos em que a água era depositada "em tambores de latão ao sol e, obviamente, a água não para consumo humano".

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Correio Alentejo

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