Tiago Santos, o "bombeiro-herói" da cidade de Beja

Tiago Santos

Apesar de ter apenas 20 anos, dificilmente Tiago Santos esquecerá a madrugada de 4 de Dezembro de 2010.
"É pá… Recordo-me de tanta coisa… Foi mesmo uma noite complicada! Fogo…" As palavras parecem sair engasgadas da boca deste jovem bombeiro em Beja e à pausa no discurso junta-se um olhar para o tecto, depois para a janela, como que em busca de algo a que se agarrar na hora de enfrentar o gravador.
Aparentemente mais "fácil" foi enfrentar as chamas naqueles minutos que pareceram séculos numa noite gélida que, ainda hoje, relata com precisão quase cirúrgica.
"Estava em casa, já estava deitado… Eram 1h50 e ouvi gritos de pessoas a chamar ‘socorro, socorro’… A minha irmã foi-me logo acordar e fui à varanda ver: era a casa da vizinha da frente que estava a arder. O fumo era negro, negro e estava um casal à janela a gritar por socorro. Fardei-me rapidamente e fui à varanda acalmar as pessoas, pedindo-lhes para ficarem à janela enquanto telefonava para o quartel. Depois fui rapidamente ao local e como a porta já estava aberta entrei casa adentro por uns segundos, mas tive de sair logo porque não conseguia ver nada. O fumo era negro, negro… Voltei a entrar e fui apalpando as coisas até encontrar um senhor de 73 anos. Consegui metê-lo cá fora, respirei um pouco e entrei novamente lá para dentro. Fui chamando a pessoa e encontrei a senhora de 39 anos pelo som da voz. Estava debaixo da cama! Resgatei-a e trouxe-a para a rua. Nessa altura chegou a PSP e como o incêndio ainda não estava extinto apagámos as chamas. Como? O incêndio fez um cano da água rebentar e como encontrei umas mantas velhas no chão molhei-as e abafei as chamas, ao mesmo tempo que os agentes da PSP usavam os extintores. Foi assim que apaguei o incêndio".
As palavras de Tiago Santos ilustram bem como naquela madrugada uma faísca saída da salamandra fez o pequeno apartamento na rua 1º de Dezembro, na zona das Portas de Moura, transformar-se numa amostra do Inferno à face da Terra.
Mesmo assim, o jovem soldado dos Bombeiros Voluntários de Beja nem pensou duas vezes antes de entrar em acção.
"Agi rapidamente, foi instintivo. É como no quartel – assim que toca a sirene agimos rapidamente", conta ao "CA", recusando qualquer tipo de vedetismo por ter resgatado duas pessoas em situação de risco.
"Herói, eu? Não, senti-me um bombeiro normal como os outros. Faço apenas o meu serviço e aquilo que fiz são as minhas funções".

<b>LEIA A NOTÍCIA NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO DE 11 DE MARÇO DO "CORREIO ALENTEJO", JÁ NAS BANCAS</b>

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