Provedor da Misericórdia de Ourique critica Presidente da República

Provedor da Misericórdia

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ourique (SCMO) escreveu uma carta dirigida ao Presidente da República, onde critica a sua actuação neste tempo de pandemia e pede apoio para a instituição e todas as entidades sociais da região.
Na carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa, a que o “CA” teve acesso, José Raul Santos escreve que “decorrido quase um mês sobre os alertas referentes à pandemia que nos assola”, a sua instituição ainda “não recebeu uma única máscara, um simples par de luvas, um singelo frasco de álcool-gel, já para não falar de um único indispensável fato de protecção”.
“Entretanto, não há dia em que, através das televisões, não veja aviões a desembarcar nos aeroportos portugueses, ao que me dizem carregados de material de protecção e cujo destino será qualquer um, menos este Alentejo que muitos classificam de ‘profundo’ e que eu só posso apelidar, por experiência própria, como abandonado e bastardo”, observa o provedor da SCMO.
Segundo José Raul Santos, “a situação que se vive em Ourique e muitos pontos do Alentejo é dramática”, daí criticar, na missiva, a postura do Presidente da República, “infelizmente aparentemente mais preocupado em prestar declarações numa varanda no meio da quarentena a que se auto-impôs ou a posar para as câmaras numa plantação de tomate ou numa fábrica de produtos químicos”.
“Esse decididamente não é o meu Presidente da República, nem é o professor Marcelo Rebelo de Sousa que eu conheço há mais de 30 anos”, acrescenta José Raul Santos, lembrando a actuação “disponível, voluntária, prestável e amiga” de Marcelo, então líder do PSD, em 1997, durante as cheias de Garvão.
Por isso mesmo, o provedor da SCMO acrescenta: “O Presidente da República que eu quero, e sei que o senhor professor sabe ser, é aquele que Presidente da República que, sem preocupações mediáticas, mas sim com a descrição e eficácia próprias de quem está atento ao que verdadeiramente interessa, dispensando os folclores que não são compatíveis com o cargo, sabe responder aos anseios e às preocupações com que todos nós neste momento nos debatemos: seja em Lisboa, no Porto, em Coimbra, em Ovar, em Faro ou neste Alentejo profundo”.

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Correio Alentejo

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