Projeto “Pastagens Regenerativas” em Castro Verde, Mértola e Ourique

Os concelhos de Castro Verde, Mértola e Ourique, onde se regista “elevada aridez” e uma “suscetibilidade à desertificação”, vão receber, nos próximos dois anos, um projeto de adaptação climática e regeneração ambiental dos solos.

O projeto “Pastagens Regenerativas” foi apresentado esta quinta-feira, 30, e é promovido por um consórcio formado pela agência de desenvolvimento local Esdime, pelas autarquias alentejanas de Castro Verde, Mértola e Ourique e pelo Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto.

A coordenadora da iniciativa, Marta Cortegano, revela que o objetivo é “promover a adaptação climática, a regeneração ambiental e a sustentabilidade nos sistemas agropecuários extensivos” nestes “territórios de elevada aridez e suscetibilidade à desertificação”.

Por isso mesmo, são parceiros do projeto as associações Terra Sintrópica, de Agricultura Regenerativa de Espanha, de Agricultores do Campo Branco, de Criadores do Porco Alentejano e de Empresários do Vale do Guadiana, assim como a Cooperativa Agrícola do Guadiana e vários agricultores locais.

A equipa de trabalho integra ainda representantes da Cooperativa Minga e diversos especialistas em monitorização de solos e cursos de água.

A iniciativa vai prolongar-se até setembro de 2023 e o respetivo financiamento é assegurado pela Fundação LaCaixa, pela Soil Alliance e pelos três municípios envolvidos.

Marta Cortegano explica que o projeto pretende tirar partido das “imensas potencialidades” naturais locais, nomeadamente a Reserva da Biosfera de Castro Verde e o Parque Natural do Vale do Guadiana, para enfrentar “ameaças” como “as alterações climáticas, o declínio do montado” ou “o despovoamento”.

“Os novos desafios colocados à produção alimentar”, a “baixa produtividade” das explorações agropecuárias locais ou a “dependência” destas relativamente aos fundos comunitários são outros dos problemas a que o projeto pretende dar resposta.

Metas a concretizar “através da aprendizagem coletiva”, da “partilha de conhecimentos” e da experimentação “de práticas de gestão holística”, para que as explorações tenham mais carbono e maior capacidade de capturar água para serem mais produtivas.

O projeto “Pastagens Regenerativas” está organizado em cinco áreas de trabalho, prevendo a “testagem de técnicas inovadoras ao nível da mobilização do solo e da gestão de pastoreio”, disse.

A iniciativa tem planeada a implementação de “testes pilotos” em quatro parcelas agrícolas, onde será utilizado o “inovador” sistema de arado ‘keyline’, que permite reabilitar solos agrícolas degradados e secos, assim como conservar a água da chuva que cai numa propriedade.

Marta Cortegano afiança que o objetivo é fazer a “transição agroecológica” do território para “um sistema de maneio holístico”, considerada uma “técnica inovadora e promissora” para “a recuperação de solos desertificados e regeneração de pastagens”.

A “capacitação e formação” dos parceiros locais “para a aplicação dessas mesmas técnicas”, bem como “a constituição de uma comunidade de prática” de agricultores, “assente na partilha de conhecimento e disseminação de boas práticas”, são outras das ações previstas no projeto.

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Correio Alentejo

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