Presidente da ACOS: “Exportação de produtos do Alentejo ainda é incipiente"

Presidente da ACOS: “Exportação de produtos do Alentejo ainda é incipiente"

Em tempo de Ovibeja, o presidente da Direcção da ACOS, Rui Garrido, fala ao “CA” sobre os desafios da feira e passa em revista alguns dos temas que marcam o sector agro-alimentar no Baixo Alentejo.

Pôr de pé toda a estrutura necessária para que a Ovibeja se realize, ano após ano, é um trabalho que mobiliza toda a equipa da ACOS…
Sim. Na ACOS levamos quase meio ano a trabalhar noutras actividades e meio ano a trabalhar para a Ovibeja. Este ano começámos a trabalhar com especial antecipação porque pensámos fazer algumas melhorias no Parque de Feiras em colaboração com o Município de Beja. Houve intervenção ao nível da melhoria das instalações sanitárias. Temos também realizado algumas melhorias em termos dos pavilhões de exposição e investimos em melhorar acessibilidades e condições para os expositores no espaço do Campo da Feira.

A feira vai continuar igual a si própria?
Sim. A feira vai continuar muito na senda das últimas edições, talvez procurando dar-lhe uma arrumação um pouco diferente este ano, em termos de expositores, melhorando-a sem a descaracterizar.

Uma das críticas que tem sido feita à Ovibeja é que, nos últimos anos, tem diminuído a presença de alguns produtos tradicionais de qualidade.
Talvez por isso, este ano quisemos fazer um rearranjo nessa área. Vamos montar uma tenda grande ao lado do Pavilhão Terra Fértil em que se vão juntar esses expositores, de maneira a valorizar e a dar ainda mais visibilidade a esse tipo de produtos. Estivemos atentos a essas críticas e vamos tentar melhorar esse aspecto.

O tema da feira tem muito que com a internacionalização dos produtos agro-alimentares. Os produtos alentejanos já conseguem competir nos mercados internacionais? A exportação é já um facto ou ainda há muito a fazer?
Há ainda muito caminho a percorrer. É ainda um bocado incipiente. Ao nível, por exemplo, dos queijos ou dos enchidos a exportação é mais do que incipiente. Há países que têm regras muito apertadas e onde quase não se consegue entrar e, por isso, não é fácil. Tirando os sectores do vinho e do azeite, ainda há muito para fazer.

Como está a agricultura do Baixo Alentejo?
Com vários problemas. Por exemplo, o do investimento. Ao nível da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA), temos vindo a batalhar, já desde antes da última Ovibeja, na questão do investimento agrícola. Ultimamente conseguimos que algumas coisas fossem melhoradas, mas outras não. Um dos problemas sérios que temos em termos do investimento são os projectos que se candidataram durante o período 2015-2016, e para os quais não há garantia de financiamento. Os concursos tinham dotações limitadas, e se entram projectos que excedem a dotação, transitam para o concurso seguinte, mas sem garantia de aprovação. O que estamos a constatar, e já tínhamos alertado a tutela para isso, é que, sobretudo quando se trata de instalação de culturas permanentes – um olival ou amendoal por exemplo, os agricultores não conseguem ficar tanto tempo à espera. Só nesta altura estão a ser analisados projectos que entraram no último trimestre de 2015, o que é muito tempo para quem tem compromissos.

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Correio Alentejo

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