“Património” voltou à Rádio Castrense

“Património” voltou

Boa noite senhor doutor! Depois de dois anos de ausência forçada, estas palavras voltaram a ouvir-se em directo na Rádio Castrense, com o regresso do programa “Património” à antena no início deste ano. Ao microfone, liderando a emissão, a mesma voz de sempre: José Francisco Colaço Guerreiro, tratado por todos os ouvintes como “senhor doutor” e o homem que desde 1989 dinamiza um dos programas de rádio mais antigos do país.
“Foi com muita emoção que retomei o 93FM e voltei a integrar a grande roda de amigos que às quintas-feiras se junta para vibrar, ouvindo e participando, de alma e coração, no programa que nos ajuda a gostar cada vez mais daquilo que é nosso”, confidencia ao “CA” José Francisco Colaço Guerreiro.
O “Património” é uma das “imagens de marca” da Rádio Castrense. Por lá já passaram grupos corais e poetas populares, cantadores e contadores de histórias, acordeonistas e outros artistas. Foi através das suas emissões que se recuperou a viola campaniça e o cante de improviso, então quase desaparecidos da memória das gentes do Alentejo de baixo. Tudo ao longo de quase três décadas de emissões, interrompidas no final de 2016 por problemas de saúde do seu apresentador.
“A retoma da realização e apresentação do ‘Património’ foi um dos meus objectivos traçados durante o processo de reabilitação no pós-operatório e depois sempre presente na progressiva recuperação da saúde”, admite Colaço Guerreiro. Até porque, continua, “uma entrega apaixonada à divulgação da nossa memória colectiva e à sua dignificação como factor aglutinador da nossa identidade cultural, semanalmente repetida por um período superior a 30 anos, fazia já parte do meu projecto de vida”.
Ao longo dos últimos dois anos os incentivos para o “Património” regressar à antena foram muitos. Mas o correr do tempo sem que houvesse novidades chegou a desanimar os ouvintes mais fiéis do programa. “À medida que o tempo passava, e porque já tinha decorrido muito desde a minha retirada, instalou-se a resignação de que nunca mais nada seria como dantes. Só os recentes anúncios do regresso do ‘Património’ trouxeram a alegria perdida e devolveram as expectativas de se poderem voltar a ouvir os sons dos nossos serões à antiga”, observa José Francisco Colaço Guerreiro.
O regresso concretizou-se a 3 de Janeiro de 2019, naquela que é uma nova etapa do “Património”. Mas quanto à matriz, garante José Francisco Colaço Guerreiro, “nada mudará”. “O seu cunho [do programa] tem de continuar a ser idêntico, dentro do princípio consagrado de que o mais importante é lutarmos contra o afastamento das nossas raízes, impedirmos o esquecimento dos nossos usos e costumes, e não desvalorizarmos a nossa forma de ser e de estar”, afiança.
É que para o autor do programa, a grande força do “Património” está na sua essência. “Somos um factor de dinamização das actividades culturais e recreativas, pois, semanalmente, estamos a divulgar bons exemplos e novas experiências de iniciativas que podem ser tomadas e mantidas para vitalizar o dia-a-dia das comunidades, tendo por base dinâmicas culturais de índole local”, justifica Colaço Guerreiro, considerando que o programa também valoriza a Rádio Castrense. “Abre as portas de muitos lares à nossa emissora local, fazendo com que a mesma seja ainda mais acarinhada pelo seu auditório”.
Será que, por tudo isto, o “Património” também já é património? “Pelos 30 anos de trabalho continuado em busca de usos, costumes e tradições revelados em antena e sistematicamente repetidos e elogiados, o programa tem sido e vai continuar a ser um elo importante na cadeia de salvaguarda e de interiorização da nossa memória colectiva”, responde José Francisco Colaço Guerreiro, para logo acrescentar: “Mas para além de sermos uma referência em termos de divulgação dos nossos valores culturais, o ‘Património’ também desempenha um papel relevante, embora pouco perceptível, no transporte de afectos, mimos e companhia para quem, no isolamento das suas vidas, mais deles precisa. Por isso, todas as semanas, somos aguardados de coração aberto”.

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Correio Alentejo

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