Lagoa de Santo André reaberta hoje ao mar

Lagoa de Santo André

A lagoa de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, vai ser aberta ao mar esta terça-feira, 26, cumprindo-se uma tradição anual, já com alguns séculos, que permite a renovação da água e dos peixes do eco-sistema.
A ligação das águas da lagoa de Santo André às do oceano Atlântico deverá ocorrer cerca das 16h30, informação avançada hoje pela Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Alentejo com base na tabela de marés do porto de Sines.
A criação de um corredor artificial entre os dois ecossistemas permite a "renovação da água" e a "entrada de peixes juvenis" no sistema lagunar, contribuindo também para a continuidade da actividade piscatória no local, explicou à Agência Lusa a responsável pelo Departamento de Recursos Hídricos do Litoral da ARH do Alentejo, Isabel Pinheiro.
Trata-se de um ritual que se cumpre desde o século XVIII, mas que o Ministério do Ambiente tomou a seu cargo há cerca de 10 anos, referiu a responsável.
Todos os anos, por altura do equinócio da primavera, são muitos os visitantes que acorrem à praia da Costa de Santo André para assistir ao momento em que lagoa e oceano se encontram.
A iniciativa, coordenada por aquela entidade regional da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), conta com a colaboração do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), por o local estar integrado na Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, classificada desde 2000.
Também para esta terça-feira, por volta das 15h30, estava prevista a ligação artificial da lagoa de Melides, no concelho de Grândola, ao mar.
No entanto, segundo Isabel Pinheiro, tal aconteceu, "naturalmente", na noite de sábado para domingo, devido às "chuvas torrenciais", o que poderá tornar desnecessário o "rompimento" mecânico.
Devido às características da lagoa de Melides, esclareceu a responsável, a abertura artificial nesta altura do ano não é tão frequente como na lagoa de Santo André.
"Há anos em que a lagoa está aberta tanto tempo no inverno que já não há justificação para se efectuar o rompimento no equinócio", indicou.
Durante o verão, quando as temperaturas chegam a rondar os 40 ºC durante vários dias seguidos, existe o risco de os níveis de oxigénio nas lagoas ficarem muito reduzidos, devido à proliferação de cianobactérias.
Se tal for detectado, graças à monitorização das águas por parte da ARH, para evitar a "morte generalizada dos peixes", esta entidade pode efectuar uma intervenção "extraordinária" na lagoa afectada, abrindo-a ao mar, o que resolve o problema da falta de oxigenação.

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Correio Alentejo

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