João Dias (CDU): “No Baixo Alentejo fomos esquecidos pelo Governo”

Candidato comunista por Beja rejeita possibilidade de “penalização” pelo chumbado o Orçamento de Estado e garante que CDU esteve sempre “na dianteira” na apresentação de propostas para a região.

Por que razão devem os baixo-alentejanos votar CDU no dia 30 de janeiro?

Porque somos a força que tem defendido o que a população e o distrito de Beja precisam. Fomos os primeiros a apresentar os projetos estruturantes para o nosso distrito, nomeadamente da ferrovia, das infraestruturas rodoviárias, do hospital, do aeroporto… Em todos eles fomos nós que estivemos na dianteira e apresentámos esses projetos na Assembleia da República, que foram aprovados. Estivemos na dianteira na reivindicação, na luta, na exigência e na apresentação dessas propostas, mas também fomos nós que defendemos aquilo que é preciso para o nosso distrito. Precisamos que exista uma mais justa distribuição da riqueza, através do aumento de todos os salários e do combate à precariedade, porque os nossos jovens precisam de cá ficar, de ter a confiança e a segurança de que é aqui que vão ter emprego. Quisemos acima de tudo soluções, não quisemos eleições. E a principal razão pela qual devem votar CDU é porque a CDU esteve a bater-se, antes de crises políticas e de eleições, por resolver os problemas de quem ganha 600 euros de ordenado ou de quem ganha 300 euros de reforma ou de quem precisa de médico e não tem. Como fomos nós que lutámos por isso, entendemos que somos nós que merecemos a confiança e o voto da população.

Teme que a CDU possa vir a ser “penalizada” nas urnas pelo “chumbo” do Orçamento de Estado (OE) para 2022?

Podemos ver isso por outro ponto de vista, ou seja, apenas o PS votou a favor [da proposta de OE]. Mais nenhum partido o fez! Quem defende o SNS, a escola pública, as acessibilidades e melhores condições de trabalho não pode se penalizado [na urnas]. Porque é isso que as pessoas pedem. Naturalmente que existe a ideia que foi por culpa do PCP que não se aprovou o OE e se foi para eleições, mas aquilo que sabemos é que não era necessário eleições, mas sim um orçamento e entendimento. Continuamos disponíveis para entendimentos, mas não podem ser entendimentos quaisquer. Têm de ser entendimentos que respondam aos problemas nacionais e do distrito. E na verdade, aquilo que foi feito foi uma estratégia e uma tática política de António Costa, que ambiciona a maioria absoluta e quis eleições, ao invés de querer a resposta aos problemas das pessoas. Estivemos do lado da solução, não do lado da ambição pela maioria absoluta.

Estivemos na dianteira na reivindicação, na luta, na exigência e na apresentação de propostas para a região.

Quais devem ser as áreas prioritárias para o Governo relativamente ao distrito de Beja na próxima legislatura?

A prioridade, desde logo, é continuar a exigir a concretização dos projetos estruturantes das acessibilidades, do aeroporto, do hospital de Beja, de mais médicos nos nossos centros de saúde e no hospital. Essas são prioridades “crónicas”, mas também há a prioridade do aumento geral de todos os salários, quer dos que trabalham na administração pública quer dos que trabalham no privado. E também melhorias em termos sociais. Recordo que temos no distrito de Beja das mais baixas reformas do país, consequência de anos de salários baixos que as pessoas tiveram ao longo da sua carreira contributiva. A verdade é que com reformas de 300 euros não há condições para que os nossos idosos possam pagar um lar. Daí que defendemos, como prioridade, uma rede de lares pública, que permita acolher com dignidade as pessoas que numa fase terminal da sua vida precisam de que cuide delas.

Em matéria de investimento público, quais as prioridades da próxima legislatura?

Tem que se concluir o IP8 e tem que ser feito o novo edifício do hospital de Beja – que ficará ao custo de dois quilómetros de autoestrada para o Estado, pois há financiamento da União Europeia para o fazer. Tem que ser concretizada a construção faseada do aeroporto de Beja e muitos outros projetos, que ninguém fala deles mas que vou falar em primeira mão para o “CA”. Falo da variante poente de Beja, que passa a sul da mata, a variante do IP8, que passa ao lado dos silos [da EPAC] para quem vem de Évora, ligado a Vila Verde de Ficalho. Também precisamos de concretizar a ligação entre Beja, Aljustrel e Odemira em perfil de itinerário complementar. Assim como ligar Vila Verde de Ficalho, Moura e Portel por itinerário complementar, numa ligação entre o IP8 e o IP2.

Como avalia a ação do Governo na região durante a última legislatura?

No Baixo Alentejo temos a perfeita consciência que fomos esquecidos. O Governo podia ter ido mais longe, porque tinha condições políticas e financeiras para o ter feito. Não fez investimentos [no distrito de Beja] porque não quis, porque nos quis absolutamente esquecer pois representamos poucos votos na altura das eleições. Dizem que gostam e que amam muito o Alentejo, mas é só até ao dia das eleições. A seguir às eleições esquecem-nos e deixam-nos para trás.

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Correio Alentejo

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