Futebol. Atleta do Entradense viu cartão branco

A partida entre o GD Odivelas e o Entradense, a contar para a Série B do campeonato distrital da 2ª divisão e disputada no passado sábado, 12, caminhava a passos largos para o seu final, com os da casa em vantagem por duas bolas a zero, quando o inédito aconteceu: o árbitro Alberto Alho assinalou grande penalidade para os anfitriões… depois do médio Luís Guerreiro, da turma de Entradas, ter confirmado que era realmente mão dentro da área de um colega seu.

“Foi uma reação no momento, a quente. O resultado também não nos estava muito favorável e foi natural, foi instinto. Acabou por ser uma resposta natural ao movimento do árbitro. E como já tenho o hábito de falar muito com os árbitros durante o jogo, ir comentando as decisões, saiu”, conta ao “CA” o atleta entradense, de 34 anos.

A grande penalidade até nem foi convertida pelos odivelenses, mas este gesto de desportivismo e fair-play valeu a Luís Guerreiro ver o cartão branco, o que aconteceu pela primeira vez nas competições seniores da Associação de Futebol de Beja (AFBeja).

No momento em que o árbitro Alberto Alho assinalou uma grande penalidade, o atleta “confirmou perante todos os jogadores a correta decisão”, destaca a AFBeja, acrescentando que “a atitude do jogador evitou contestação e valeu a amostragem do cartão branco”.

Este cartão, que não pune mas premeia, teve origem numa parceria do Instituto Português do Desporto e Juventude, da Confederação das Associações de Juízes e Árbitros de Portugal e da Coca-Cola, com o propósito de enaltecer “condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes, público e outros agentes desportivos”.

Para Luís Guerreiro, o cartão branco recebido em Odivelas acaba por ser um prémio para si e para todos os seus colegas de equipa.

“A época não nos tem corrido muito bem e estamos abaixo das expetativas… Mas acho que foi um prémio para mim e para a equipa. Além do mais, sempre me ensinaram que os princípios devem ser estes, que não podemos fugir à verdade”, frisa o jogador.

Um gesto, continua Luís Guerreiro, que devia repetir-se mais vezes dentro de campo. “Basta ver, a nível profissional, o que aconteceu no [último] fim-de-semana no jogo do FC Porto contra o Sporting. Aquilo foi uma falta de desportivismo e de fair-play”, observa.

Em declarações ao “CA”, o vice-presidente do Entradense – e responsável pelo futebol sénior no clube do concelho de Castro Verde – não esconde o orgulho pela atitude do seu atleta.

“Este é um gesto que merece ser destacado e repetido em todos os campos, pois o futebol é apenas a coisa mais importante das nossas vidas depois de todas as outras coisas”, diz José Maria Gil, acrescentando que “mais que saber ganhar, há que saber perder”.

“É isso que temos feito ao longo desta época, com dignidade, fair-play e honrando a camisola do Entradense. Podemos ir no último lugar, mas andamos de cabeça erguida em qualquer campo, pois sabemos que temos feito sempre o que é mais correto”, conclui.

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Correio Alentejo

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