Furto de cobre preocupa agricultores alentejanos

Furto de cobre preocupa

O furto de cobre em equipamentos de rega nas herdades no Alto Alentejo continua a preocupar os agricultores, com as autoridades a sentirem dificuldades em controlar este tipo de crime devido às acessibilidades e extensas áreas das propriedades.
Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP), António Bonito, mostrou-se hoje preocupado com a situação, alertando que este tipo de furto tem tendência a “agravar-se”, devido à conjuntura económica do país.
“Nós, agricultores, temos sido altamente penalizados com este tipo de furtos. Temos vindo a alertar as autoridades e a trabalhar em parceria com elas, pois nós somos roubados em tudo. É uma violência brutal”, considerou.
Fontes contactadas pela Lusa avançaram que, na cidade espanhola de Olivença, o cobre está a ser comercializado a três euros por quilograma.
Um posto de transformação, um dos equipamentos mais procurados pelos autores deste tipo de furto, contém cerca de 120 quilogramas de cobre, referiram as fontes.
Para evitar o aumento deste tipo de crime, o presidente da AADP defendeu que os meios dissuasores devem ser “reforçados”, lamentando que, "quando ocorrem casos de pessoas que são apanhadas em flagrante delito, sejam, depois, libertadas pela justiça".
Um dos agricultores afectados, João Caldeira, de Campo Maior, viu a sua exploração agrícola ser assaltada no sábado, 23, tendo sido o quarto furto no espaço de dois anos.
O agricultor relatou à Lusa que furtaram da sua propriedade um posto de transformação de electricidade que fornece energia para rega a um pomar, num prejuízo que ronda os “30 mil euros”. “É por demais, assim é difícil trabalhar”, lamentou.
Contactado pela Lusa, o capitão João Janeiro, do Comando Territorial de Portalegre da GNR, confirmou que este ano já foram registadas “algumas ocorrências”, à semelhança do que se passou durante o ano de 2012, salientando ser "difícil" o policiamento nas herdades.
“A dificuldade tem a ver com a quantidade e dispersão que há deste tipo de equipamentos (pivots de rega e postos de transformação). Ou seja, nós corremos o risco de estarmos a policiar uma área e ocorrer um furto numa outra área”, explicou.
João Janeiro relatou que a maior parte deste tipo de furtos ocorre nos concelhos de Elvas, Campo Maior, Avis e Ponte de Sôr, uma vez que são zonas onde o regadio agrícola é mais desenvolvido.
A falta de instalação de alarmes nos pivots de rega e a falta de acessibilidades nas herdades para que a GNR possa actuar são algumas das lacunas apontadas pelo oficial.
João Janeiro explicou ainda que as autoridades portuguesas estão a desenvolver “há dois anos”, com a Guardia Civil (Espanha), uma “cooperação muito estreita” neste tipo de criminalidade.
“A prevenção é a base. A instalação de um alarme nos equipamentos ajuda bastante, pois não é possível ter um guarda em cada sítio para ter tanta eficácia”, disse.

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Correio Alentejo

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