Comércio “confinado”. “Esta é uma luta de todos!”

A mina de Aljustrel está ao alcance da vista de Almerinda Morais a partir da janela do restaurante que gere com a filha. Diariamente eram centenas os trabalhadores mineiros que passavam pelas mesas desta casa, para almoçar, jantar ou simplesmente para uma cerveja no fim do turno. Mas tudo mudou com a Covid-19, num longo “calvário” que já leva quase um ano e tem causado enormes prejuízos.

“As dificuldades têm sido muitas! A facturação baixou 80% e tivemos de despedir duas funcionárias, o que não esperávamos. Agora sou só eu e a minha filha, que durante muitos meses estivemos sem ordenado para ir ‘segurando o barco’ e não faltar nada às nossas outras duas funcionárias”, conta ao “CA” a gerente, de 66 anos, do restaurante “Pires”, mesmo à entrada da “vila mineira”.

Depois de alguma retoma nos meses de Verão e seguintes, a pandemia voltou a “atacar” em força. O país e o restaurante de Almerinda Morais, que, desde a passada semana, está sem poder abrir portas devido ao novo confinamento. O negócio ficou limitado ao fornecimento de algumas refeições aos trabalhadores de empresas subempreiteiras da mina de Aljustrel, com as quais tem contrato, mas nem isso desanima a empresária.

“Acho que isto é uma luta em que todos estamos envolvidos e que todos temos de fazer para ganhar. Estou de acordo com estas medidas e havemos de dar a volta”, frisa com optimismo.

Miguel Guerreiro, 43 anos, trabalha na mesma área que Almerinda. Proprietário de um restaurante e café no centro da vila de Almodôvar, ainda começou por servir cafés e pequenos-almoços “ao postigo”, mas desde o dia 20 de Janeiro que a sua actividade está limitada à venda de refeições por take-away.

“Estas novas regras vieram dar uma ‘machadada’ muito grande [no negócio]. No meu caso, estava a funcionar desde as 6h00 e vendia muitos cafés e pequenos-almoços. Isso era um grande complemento às refeições que servimos”, diz o empresário almodovarense, que reconhece preferir trabalhar desta forma a estar em casa “a pensar noutras coisas”.

Ainda assim, Miguel Guerreiro espera que os apoios anunciados pelo Governo venham compensar as perdas previstas. “No outro confinamento a Câmara [de Almodôvar] deu um apoio significativo e o Estado também. Agora esperamos que a haver esse apoio, juntamente com o nosso trabalho, dê para levarmos isto para a frente”, remata.

 “Isto é uma luta em que todos estamos envolvidos e que todos temos de fazer para ganhar.”

Almerinda Morais | Aljustrel

Rumado a Castro Verde, o mesmo cenário. Nas principais artérias comerciais da vila apenas estão abertos os estabelecimentos em que tal é permitido. É o caso da papelaria e tabacaria de Nelson Cachopas, em plena Praça da República, que apesar de estar autorizada a funcionar até às oito da noite fecha portas às 13h00… por opção própria.

“Impus esse limite porque acho que todos nós devemos respeitar este confinamento. Assim o pessoal faz as compras de manhã, jornais e tabaco, e não anda tanto na rua”, justifica o empresário de 43 anos, que nos últimos meses viu a sua actividade cair “mais de 50%”.

Segundo Nelson Cachopas, nos últimos dias tem havido “muito menos movimento” na rua. Mas mesmo assim, diz, estas medidas poderão não ser suficientes para controlar os números da pandemia em Portugal. “O problema é que se metermos tudo em casa como é que as pessoas comem, como é que as pessoas vivem?”, questiona.

“Acho que todos nós devemos respeitar este confinamento.”

Nelson Cachopas | Castro Verde

Metros adiante, na Rua Fialho de Almeida, Eugénia Gomes vai organizando os expositores da sua parafarmácia. Tal como no primeiro confinamento, este tipo de estabelecimento pode funcionar com normalidade, mas a empresária de 64 anos não abdica das medidas de protecção que implementou logo em Março do ano passado.

“É uma maneira de nos protegermos”, diz ao “CA”, ao mesmo tempo que reconhece que o negócio tem vindo “a cair bastante” nos últimos dias, ou seja, “desde que a situação começou a piorar”.

Segundo Eugénia Gomes, no primeiro dia deste novo confinamento havia mesmo muito pouca gente a respeitaras regras impostas. “Parecia que ia tudo para o mercado! Mas nos últimos dias a coisa tem estado mais calma, parece que já se começaram a consciencializar da gravidade da situação”, conclui.

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Correio Alentejo

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