CIMBAL exige medidas ao Governo para garantir distribuição de jornais no distrito

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo manifestou “total incredulidade” com a possibilidade da VASP alterar a distribuição diária de jornais em oito distritos, entre os quais o de Beja, e exige uma intervenção do Governo.

“O Governo tem a responsabilidade de resolver esta situação e é pouco compreensível que se escude nos ‘mecanismos concorrenciais’  para deixar surgir esta ameaça”, diz ao “CA” António José Brito, que é também autarca em Castro Verde.

A posição do presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) surge depois da administração da VASP ter confirmado, na quinta-feira, 4, que está a avaliar a necessidade de fazer ajustamentos na distribuição diária de jornais, o poderá ter impacto, já a partir de janeiro de 2026, nos distritos de Beja, Évora, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Vila Real e Bragança.

“Vemos esta situação com profunda preocupação e total incredulidade. Temos dificuldade em aceitar que metade de Portugal, que é permanentemente esquecida e deixada para trás em tantas áreas, agora também deixe de ter o direito a estar informado e a ler jornais em papel”, frisa o presidente da CIMBAL.

António José Brito diz ainda que, a confirmar-se esta possibilidade, “para a imprensa regional do Baixo Alentejo – e de todo o interior – será uma quase ‘sentença de morte’, num país onde nunca houve nem há uma política séria de incentivo à publicação, leitura e sustentabilidade dos jornais”.

“O Governo não pode permitir que metade do país possa ler jornais e a outra metade não tenha essa oportunidade”, diz António José Brito.

Por isso, continua, “o Governo tem a responsabilidade de resolver esta situação e é pouco compreensível que se escude nos ‘mecanismos concorrenciais’ para deixar surgir esta ameaça”.

Em causa está o facto de o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, ter afirmado, também na quinta-feira, que qualquer solução pública que ajude a assegurar a distribuição de imprensa no território nacional implicará sempre “mecanismos concorrenciais” e não passar cheques a uma empresa em concreto.

Para António José Brito, “o que está em causa é ter metade do país sem imprensa nas bancas”, por isso, argumentou, o Governo “tem de contratualizar com a Vasp uma solução concreta para impedir este problema grave”.

“Parece óbvio que o Governo não pode permitir que metade do país possa ler jornais e a outra metade não tenha essa oportunidade”, diz o presidente da CIMBAL, considerando “que ninguém iria compreender e aceitar a indiferença do governo nesta situação”.

A par disso, António José Brito lembra que a VASP também assegura o transporte dos jornais regionais a partir das gráficas até às redações, ou seja, “podem estar em causa muitos postos de trabalho e a sobrevivência das empresas editoras”.

“As consequências seriam graves e não há forma de o Governo simplesmente fechar os olhos a tudo isto”, conclui o presidente da CIMBAL.

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Correio Alentejo

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