Excesso de chuva causa problemas na agricultura do Campo Branco

Há cerca de dois meses que chove praticamente todos os dias na região do Campo Branco, o que está a causar fortes problemas aos agricultores da região, que vêm as suas produções de outono/inverno ameaçadas e contabilizam perdas nos seus efetivos pecuários.

Que o diga José Miguel Maruta, de 35 anos, que tem cerca de 280 hectares de terra na zona de Entradas, no concelho de Castro Verde, onde produz cereais, nomeadamente triticale e aveia, e tem ovelhas.

“Sem dúvida que [a chuva] está a causar dificuldades”, reconhece ao “CA” o jovem agricultor, que teme “poder vir a perder uma grande parte da produção pelo excesso de água”.

“As plantas não estão preparadas para terem esta quantidade de água e quando têm excesso de água morrem por asfixia radicular. E mesmo quem as queira tratar, fazer as adubações e alguns tratamentos, não consegue entrar no campo com as máquinas”, diz.

A par disso, a chuva tem igualmente atingido o efetivo pecuário de José Miguel Maruta, que produz ovelhas de carne, pois “é diferente dormir numa cama seca ou numa cama molhada”.

“Se não mamarem logo e nascerem debaixo de água, os borregos arrefecem e acabam por morrer”, indica o agricultor, acrescentando que mesmo os animais maiores “acabam por não meter o peso que eram para meter”. E para doenças como a pieira, “o excesso de água também é mau”, acrescenta.

“As plantas não estão preparadas para terem esta quantidade de água e quando têm excesso de água morrem por asfixia radicular. E mesmo quem as queira tratar, fazer as adubações e alguns tratamentos, não consegue entrar no campo com as máquinas”, diz ao “CA” o jovem agricultor José Miguel Maruta.

Os problemas sentidos por José Miguel Maruta verificam-se um pouco por toda a região do Campo Branco, que abrange os concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Aljustrel e Mértola.

De acordo com o presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), António Aires, na região são muitos os “problemas de encharcamento das culturas”.

“Com o tempo que tem estado, está tudo com excesso de água, o que compromete as forragens e os fenos para o próximo ano e também a parte do cereal”, afiança o dirigente, sublinhando que os agricultores também não conseguem entrar nos campos para fazer tratamentos. “Por exemplo, a parte das coberturas, neste momento não se consegue fazer nada disso”, diz.

Já na pecuária, a AACB, com sede em Castro Verde, tem recebido “participações da morte de animais, sobretudo animais jovens ou que estão na altura da parição”, continua António Aires. “Os borregos estão a nascer com frio e chuva e, se for durante a noite, de manhã, quando as pessoas chegam [às explorações] estão mortos”, indica.

Mas o excesso de chuva tem igualmente causado constrangimentos nas explorações agrícolas abrangidas pelos regimes agroambientais.

“Há agricultores que não conseguiram cumprir os mínimos obrigatórios para cumprir o compromisso agroambiental. Temos de ter atenção face a isso e vamos tentar falar com as entidades competentes para arranjar uma solução, para que estes agricultores não sejam prejudicados”, afiança António Aires.

Apresar de todos estes problemas, o presidente da AACB não dá, para já, o ano agrícola como perdido. “O fundamental neste momento é deixar de chover. Vamos esperar e depois fazemos o balanço”, conclui.

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Correio Alentejo

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