Beja e Mértola lembram o “bandeirante” António Raposo Tavares

Beja e Mértola lembram o “bandeirante” António Raposo Tavares

Mais de três séculos e meio após a sua morte no Brasil, o “bandeirante” António Raposo Tavares vai ser lembrado em Beja e Mértola com uma série de iniciativas que vão decorrer ao longo desta sexta-feira e sábado, dias 5 e 6 de Outubro.
A iniciativa, promovida pelas câmaras de Beja e Serpa, Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja e o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, surge numa altura em que se celebra o ano luso-brasileiro e visa “desvendar” o vínculo secular que existe entre o Alentejo e o Brasil, perpetuado através da figura de António Raposo Tavares, “bandeirante” baixo-alentejano que contribuiu de maneira fundamental para a actual formação territorial do Brasil.
As comemorações arrancam às 12h00 de sexta-feira, 5, em Beja, com uma homenagem junto à estátua de Raposo Tavares no centro da cidade, em frente à gare rodoviária.
No sábado, 6, às 10h00, o cine-teatro Marques Duque, em Mértola, recebe o seminário “A Formação Territorial do Brasil – O Contributo de António Raposo Tavares”, com a colaboração de investigadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Estadual Paulista, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Portuguesa da História.
De tarde, às 16h00, far-se-á um percurso até São Miguel do Pinheiro, a que se associa a comunidade local, com a inauguração de uma placa na igreja onde o “bandeirante” nasceu e foi baptizado.
António Raposo Tavares nasceu em 1598 na paróquia de São Miguel do Pinheiro, partindo para o Brasil em 1618 ao lado do pai, Fernão Vieira Tavares, governador da capitania de São Vicente.
Em 1622 fixou-se em São Paulo e cinco anos mais tarde comandou a sua primeira bandeira (expedição militar), atingindo o Rio Grande do Sul, de onde expulsou os jesuítas espanhóis.
Regressado a São Paulo, em 1633, tornou-se juiz ordinário, cargo de que desistiu, no mesmo ano, para ser ouvidor da capitania de São Vicente.
Três anos depois comandou outra bandeira, agora para expulsar os jesuítas espanhóis de Tapes, também no Rio Grande do Sul, de modo a assegurar a demarcação territorial portuguesa.
De 1639 a 1642 integrou as forças que lutaram contra os holandeses, desempenhando papel importante nas campanhas para a reconquista da Bahia e de Pernambuco.
E em 1640 proclamou a restauração da independência portuguesa, em São Paulo, o que levou o rei D. João IV a nomeá-lo mestre-de-campo.
A última expedição que capitaneou viria a sair de São Paulo, em 1648, em busca de prata, e durou três anos, percorrendo um total de 10 mil quilómetros, em direcção ao norte, atravessando a floresta amazónica e alcançando Gurupá, no Pará.
Raposo Tavares faleceu em São Paulo em 1658.

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Correio Alentejo

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