Bactéria detectada na água em Almodôvar não é perigosa

Bactéria detectada na água

Uma estirpe da bactéria Legionella foi detectada na rede pública de distribuição de água da vila de Almodôvar, mas o risco para a população "não é considerado grave".
Num comunicado enviado à Agência Lusa, a Câmara de Almodôvar explica que a bactéria legionella spp foi detectada nos reservatórios da rede na passada sexta-feira, 26, às 16h00, após uma "análise específica, não obrigatória, à qualidade da água", efectuada pela empresa Águas Públicas do Alentejo (AgdA).
Por se tratar da "estirpe menos perigosa" da bactéria legionella, "o risco a que está exposta a população não é considerado grave" pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, mas, contudo, a situação merece "toda a atenção e preocupação" da Câmara de Almodôvar, frisa o Município.
Segundo a autarquia, a exposição à bactéria pode provocar uma infecção respiratória, conhecida por Doença dos Legionários, que se transmite por inalação de gotículas de vapor de água contaminada de dimensões tão pequenas que veiculam a bactéria para os pulmões, possibilitando a sua deposição nos alvéolos pulmonares.
"A ingestão da bactéria não provoca infecção" e, por isso, a água pode ser ingerida, "nem se verifica o contágio de pessoa para pessoa", sublinha a autarquia, referindo que "não há quaisquer casos conhecidos de infecção por legionella spp" em Almodôvar.
De acordo com o Município, há factores que favorecem o desenvolvimento da bactéria, como a temperatura da água entre 20 e 45 graus centígrados, pH entre 05 e 08, humidade relativa superior a 60% e zonas de reduzida circulação de água, nomeadamente reservatórios, torres de arrefecimento, tubagens de redes prediais e pontos de extremidade das redes pouco utilizadas.
Por isso, através de um edital, emitido na sexta-feira, 26, a autarquia aconselha a população a evitar ou minorar a exposição por inalação de partículas de água provenientes de actividades como banhos de chuveiro, rega por aspersão e lavagem de automóveis e pavimentos com mecanismos de pressão.
O Município aconselha também a população a fazer, semanalmente, a purga de toda a rede predial de água e respectivos equipamentos, como esquentadores termo-acumuladores e depósitos, através da abertura de todas as válvulas e torneiras por dez minutos para garantir a circulação e evitar a estagnação da água.
A autarquia aconselha ainda a população a rejeitar, diariamente e em cada utilização, a primeira água dos chuveiros por um período não inferior a dois minutos e proceder mensalmente à submersão dos chuveiros em solução clorada por um período não inferior a 24 horas.
Apesar de os reservatórios serem da responsabilidade da AgdA, a Câmara de Almodôvar refere que "tem a obrigação de garantir um serviço de qualidade à população" e, por isso, "iniciou de imediato o procedimento legal indicado" pela ARS do Alentejo, ou seja, elaborou e publicitou, logo na sexta-feira, o edital a aconselhar a população a adoptar medidas preventivas e de auto-protecção.
No fim-de-semana, procedeu-se ao "reforço do tratamento químico da água e foi elaborado um plano de higienização e desinfecção de todo o Sistema de Abastecimento de Água de Almodôvar", que começou na segunda-feira, 29, e terminou às 24h00 desta terça-feira e contemplou a limpeza de todos os reservatórios e da cisterna da Estação de Tratamento de Águas (ETA) que servem a vila, indica.
A Câmara de Almodôvar refere que na segunda-feira, para esclarecer toda a população em relação às medidas preventivas e de auto-protecção recomendadas, aos sintomas associados à contaminação, a formas de propagação/ exterminação da bactéria e às medidas correctivas em curso, promoveu uma sessão pública de esclarecimento, que decorreu no edifício dos Paços do Concelho e contou com a presença de responsáveis da AgdA e de Saúde Pública.
Após a desinfecção da rede, serão efectuadas novas análises à qualidade da água "para que seja garantida a erradicação da bactéria", refere a autarquia.
Num comunicado enviado à Lusa, o núcleo concelhio de Almodôvar do Bloco de Esquerda acusou o executivo PS da câmara de "leviandade no tratamento da questão quanto à segurança dos cidadãos", porque o edital emitido "não chegou a todos os munícipes" e "peca pela falta de informação clara e concisa" sobre a bactéria que "contamina a rede pública" e as consequências que pode causar na saúde das pessoas.

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Correio Alentejo

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