António J. Seguro: “Com o PS o Baixo Alentejo avança”

António J. Seguro: “Com o

António José Seguro quer um país “justo e com menos desigualdades”. E vê o Baixo Alentejo como “uma região de enormes potencialidades e com oportunidades únicas”.

Por que razão devem os socialistas elegê-lo para continuar a liderar o partido?
Pela mudança que quero fazer no nosso país. Mudança na forma de fazer política, separando a política dos negócios e mudança no rumo colocando a prioridade na criação de emprego e no crescimento económico. Só o crescimento da nossa economia garante futuro aos portugueses. A política de empobrecimento deste Governo é uma tragédia. Precisamos de um novo caminho para Portugal, apostando na economia para criar empregos, equilibrar as contas públicas e garantir a sustentabilidade da escola pública, do serviço nacional de saúde e da segurança social pública. Estamos preparados para governar Portugal. Fizemos essa preparação ao longo destes três anos. Conhecemos muito bem o nosso país. Construímos um programa de governo com o contributo de milhares de socialistas e de simpatizantes. Temos uma visão para Portugal, uma estratégia para lá chegarmos e 80 propostas concretas. Ambicionamos um país justo, com menos desigualdades e com menos pobreza. E também queremos uma democracia de confiança, onde política e negócios não se misturam e a justiça não prescreve para os poderosos.

Teme que este processo eleitoral deixe marcas internas no PS?
Essas marcas infelizmente existem e foram provocadas pela ambição pessoal do António Costa. O PS não merece esta crise. António Costa criou uma crise política depois de duas vitórias claras do PS: nas [eleições] autárquicas e nas europeias. É uma situação inédita em toda a história do PS. Os socialistas sabem que, desde que fui eleito em 2011, fiz sempre tudo para unir o PS, que tinha saído tão fragilizado das eleições desse ano. O que espero é que, depois da vitória que conto alcançar no dia 28 de Setembro, a família socialista se una em torno do projeto de mudança que propomos. E tenho um enorme orgulho na decisão que tomei de abrir o partido à sociedade para a escolha do seu candidato a primeiro-ministro. Foram mais de 150 mil os portugueses que se inscreveram como simpatizantes para participarem nesta escolha. Este é um momento verdadeiramente histórico na democracia portuguesa.

Que atenção pretende dar aos problemas sentidos pelos territórios do interior e de baixa densidade?
Ter nascido no interior deu-me uma sensibilidade maior para os problemas de quem vive fora dos grandes centros urbanos. E, enquanto secretário-geral do PS, tenho verificado que o país está cada vez mais desequilibrado em prejuízo do interior. Pior: nos últimos anos, este Governo tem agravado esse desequilíbrio, promovendo uma política de empobrecimento generalizado, com consequências ainda mais graves no interior, nomeadamente com o encerramento de serviços públicos ou com a extinção de freguesias (muitas vezes, o único elo de ligação entre a população, sobretudo a mais idosa, e o Estado). Sou contra esta política! Esta maioria PSD/ CDS defende um Estado mínimo, em que cada português fique entregue à sua sorte. Eu não quero ver o interior condenado a ser um enorme lar de idosos e com um batalhão de desempregados. Defendo um Plano de Desenvolvimento para o Interior que aproveite os fundos comunitários para investimento de qualidade no interior. A nível fiscal, proponho a descriminação positiva das empresas que criem emprego no interior. Não basta terem a sua sede num concelho do interior. Têm efectivamente de criar postos de trabalho.

Que estratégia de desenvolvimento defende para o Baixo Alentejo?
O Baixo Alentejo é uma região de enormes potencialidades e com oportunidades únicas que têm de ser aproveitadas, para garantir o futuro da região mas também para contribuir para o país. Por exemplo, o progresso feito na agricultura através do benefício da água para a rega é um sinal de futuro e de prosperidade. Sei do que falo. Ainda recentemente visitei explorações agrícolas com vinhas e olivais. Por isso é necessário entender que os investimentos estratégicos no interior devem ser assentes numa relação de reciprocidade entre o governo e os territórios. No caso do Baixo Alentejo, estão criadas as condições para potenciar o desenvolvimento através de uma política adequada que dinamize o projecto de Alqueva, que reforce as apostas na agricultura, na transformação industrial dos produtos agrícolas e na exportação e que apresente uma solução séria e de compromisso com o desenvolvimento do aeroporto de Beja em todas as vertentes possíveis de forma complementar. É importante olhar para as grandes infraestruturas e entendê-las como um benefício para o país, como é o caso do IP 8. E o PS tem uma relação de verdade com os baixo-alentejanos. Não os desilude. Não falseia promessas. E sabem que connosco a região avança. Juntos fazemos o Baixo Alentejo avançar.

Como líder do PS e candidato a primeiro-ministro vai defender que o processo de regionalização avance? Porquê?
Antes de mais, assumi o compromisso de continuar a transferência de competências para os municípios e reorganizar a Administração Local, revendo a sua articulação nesta matéria com a Administração Central e clarificando a organização regional/ local dos serviços públicos. O nosso país paga um pesado preço pelo centralismo do Terreiro do Paço. Há uma clientela que se instalou junto dos poderes públicos que faz tudo para conservar o centralismo das decisões em Lisboa. Oponho-me e luto contra esse centralismo. Sempre assumi a minha opção pela regionalização do país, desde que essa opção não crie mais clientelas políticas. As populações ficam melhor servidas através de um nível regional de administração com competências claras e recursos adequados. A reforma do Estado deve clarificar o que pertence ao nível municipal e o que pertence ao nível regional, racionalizando os recursos e combatendo conflitos de competências entre organismos da administração central. Ao contrário de outros, confio nas capacidades de decisão dos alentejanos.

As eleições legislativas serão em 2015 – confia que, no caso do distrito de Beja, o PS pode voltar a eleger dois deputados?
O Partido Socialista tem todas as condições para ganhar com maioria absoluta as eleições de 2015. Esperamos que o Baixo Alentejo acompanhe, como sempre tem acompanhado, o projecto de mudança e modernização que o Partido Socialista apresenta aos portugueses. Os alentejanos sabem que podem contar com o PS. Se hoje o Alentejo tem as condições necessárias para entrar num rumo de desenvolvimento sustentável é devido ao empenho e capacidade de decisão dos governos e autarquias socialistas. A concretização do Alqueva é um bom exemplo.

A ENTREVISTA DE ANTÓNIO COSTA

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Correio Alentejo

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