Maria Antunes e Rita Westwood vencem programa “Vagabundas” em Mértola

Artes - programa Vagabundas (Mértola)

As artistas Maria Antunes e Rita Westwood foram as vencedoras da quarta edição do programa ‘Vagabundas’, dinamizado no concelho de Mértola e que pretende “fortalecer a criação artística no feminino em territórios descentralizados”.

A iniciativa é promovida pela companhia Cepa Torta e tem o apoio da Câmara de Mértola, assim como a parceria da Fundação Serrão Martins e do projeto Rua das Gaivotas 6, do Teatro Praga, de Lisboa.

Segundo a Cepa Torta, em comunicado enviado ao “CA”, a “missão central” do projeto ‘Vagabundas – Residências Artísticas Mercedes Blasco’ passa por “impulsionar a criação artística no feminino e promover o desenvolvimento artístico em comunidades afetadas por desertificação”.

A edição de 2026 recebeu um total 39 candidaturas e o júri, composto por Catarina Requeijo, Laura Lopes e Inês Achando, acabou por selecionar os projetos propostos por Maria Antunes e Rita Westwood.

De acordo com a Cepa Torta, Maria Antunes candidatou o projeto ‘Ninfa’, que propõe “uma performance a solo que investiga o corpo feminino como território de poder, desejo e autodeterminação”.

“O projeto questiona a construção histórica da mulher como objeto e reconfigura o arquétipo mitológico da ‘ninfa’, propondo a sensualidade como uma força autónoma”, acrescenta.

Coreógrafa e performer, Maria Antunes articula a dança contemporânea com as culturas ‘street’ e ‘clubbing’, sendo autora de ‘PANTERA’, obra vencedora do Prémio do Público no Concurso Internacional Solo-Tanz-Theater Stuttgart 2025, na Alemanha.

Já Rita Westwood foi selecionada pelo júri do ‘Vagabundas’ com o projeto ‘pranto. descanso. lamento. Descanso’, que pretende recuperar “o ritual ancestral das carpideiras como um gesto político e performático”.

“O projeto utiliza o choro público e o lamento para agitar a ordem social e fomentar uma catarse coletiva sobre o estado do mundo”, pode ler-se no comunicado.

Artista-investigadora transdisciplinar, o trabalho de Rita Westwood “foca-se na micropolítica dos corpos e na reivindicação do prazer sob o domínio colonial-capitalista”.

As duas artistas vão estar em residência artística na localidade de Mina de São Domingos, concelho de Mértola, entre os dias 6 de abril e 6 de maio, mantendo “contacto direto com o território e a comunidade local para o desenvolvimento das suas obras”.

Depois, os dois projetos serão apresentados publicamente a 3 de maio, no cineteatro da Mina de São Domingos e, a 9 de maio, no espaço Rua das Gaivotas 6, em Lisboa.

Com periodicidade anual, o ‘Vagabundas – Residências Artísticas Mercedes Blasco’ vai na quarta edição e consiste num programa de residências artísticas de criação que tem como objetivo “promover a criação artística no feminino”.

A companhia Cepa Torta acrescenta que a iniciativa inspira-se na figura de Mercedes Blasco, “um dos pseudónimos de Conceição Vitória Marques, e na sua obra literária mais conhecida, Vagabunda – um diário de memórias da mulher e da artista”.

“Assumir Mercedes Blasco como referência é reconhecer a sua importância, afirmar o seu legado e devolver-lhe a relevância política e simbólica que lhe foi negada em vida”, reforça.

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