Crime(s) à vista de todos!

Carlos Pinto

JORNALISTA | DIRECTOR DO "CA"

Uma operação desencadeada, na passada semana, pela Polícia Judiciária (PJ) nos concelhos de Cuba e de Ferreira do Alentejo desmantelou uma estrutura criminosa que se dedicava à exploração de trabalhadores imigrantes nos campos do Baixo Alentejo.
A “Operação Espelho” acabou por levar à detenção um total de 28 pessoas, tendo ainda sido identificada cerca de uma centena de imigrantes, que alegadamente estava a ser vítima de exploração laboral.
Segundo descreveu à imprensa a inspetora Manuela Santos, da Unidade Nacional de Contra Terrorismo da PJ, as vítimas “eram aliciadas por anúncios”, acabando por ganhar apenas “entre 100 e 250 euros por mês”, quando lhes prometiam “800, 900, 1.000 ou mais”. A diferença “ficava retida” para pagamento do alojamento, alimentação e transporte.
Dos 28 detidos, 13 ficaram em prisão preventiva e os restantes 15 foram colocados em liberdade, depois de terem sido ouvidos nos tribunais de Évora e de Cuba. O caso vai agora correr na Justiça, mas o combate a este tipo de crime(s) à vista de todos não se pode ficar por operações pontuais das forças policiais.
Em toda a região existem trabalhadores migrantes a trabalhar em explorações agrícolas, na construção civil ou na restauração. Muitos deles em condições inenarráveis, sem que nada façamos para mudar essa realidade. Urge, portanto, que seja estabelecidas regras concretas que salvaguardem quem vem de fora para trabalhar em Portugal e, simultaneamente, para que quem prevarique seja fortemente punido.

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