Vitacress produz seis mil toneladas de vegetais no concelho de Odemira

Vitacress produz seis mil toneladas de vegetais no concelho de Odemira

Lá fora os termómetros ultrapassam os 30 graus, mas no interior da fábrica da Vitacress, localizada na Quinta dos Cativos, na freguesia de Boavista dos Pinheiros, nem parece ser Verão. Aí a temperatura anda sempre nos cinco graus ou abaixo, “pormenor” essencial para manter a longevidade das quase seis mil toneladas de vegetais, legumes frescos e ervas aromáticas provenientes das três herdades que a empresa tem na região e são vendidas anualmente para os mercados de Portugal, Espanha e Inglaterra.
“A partir dos nossos campos de Odemira há uma parte do produto que vai para Inglaterra e Norte da Europa a granel. E a outra parte vem para esta unidade fabril, onde é lavada e embalada, seguindo para os supermercados e todo o retalho em Portugal e em Espanha”, sintetiza ao “CA” Luís Mesquita Dias, director-geral da Vitacress, empresa ligada ao grupo RAR.
Especializada na produção de saladas e legumes de quarta geração (prontos-a-comer) e com uma quota de mercado a rondar os 35%, a Vitacress vende 60% da sua produção anual para as grandes cadeias de distribuição a retalho do país. O restante vai para os mercados de Inglaterra (30% das vendas, tudo a granel) e Espanha (10%).
A Vitacress emprega no concelho de Odemira cerca de 300 pessoas e em 2010 registou um crescimentos de quase 18% no seu volume de negócios em Portugal. “Passou de 14 para 16 milhões de euros, sendo que o total da facturação é de 25 milhões de euros. A diferença são as vendas para o mercado de Inglaterra e de Espanha”, explica Mesquita Dias, não escondendo que apesar das nuvens negras trazidas para o horizonte próximo pela crise, a expectativa da empresa “é continuar a crescer” mediante “um programa de marketing e vendas bastante ambicioso” até ao final do ano.
“Vamos compensar com inovação e novos lançamentos alguma retracção que os produtos do ‘passado’ hão-de ter por via da retracção do próprio país”, explica o director-geral da Vitacress, que vai lançar agora no mercado duas novas variedades de saladas, com folhas “mais crocantes e mais estaladiças”.
Paralelamente, a empresa está aberta a novas parcerias com produtores que lhe permitam diversificar as culturas que disponibiliza aos consumidores, ao mesmo tempo que tenta “desbravar” outros mercados no exterior, nomeadamente em Angola. “É um mercado a ter em conta para o futuro”, revela Luís Mesquita Dias.
Novos projectos à parte, a Vitacress é hoje uma referência no sector em termos nacionais e até internacionais. Mas o caminho percorrido foi longo e árduo desde a altura em que tudo começou, na já distante década de 80 do último século, num local tão inóspito mas que ainda hoje continua a ser uma espécie de “paraíso” para este género de culturas hortícolas.
“Esta zona é muito boa para este tipo de actividade agrícola”, explica Luís Mesquita Dias, que por ser um homem atento à realidade envolvente diz encarar a actividade como uma janela de oportunidades para Portugal.
“Podemos não produzir tudo e não devemos querer ser auto-suficientes em tudo, porque isso não faria sentido. Mas devemos importar aquilo que não temos condições para produzir e produzir aquilo em que temos condições para nós próprios e para exportar. E com cinco anos de vista, estou convencido que podemos anular o défice que a balança alimentar portuguesa tem neste momento”, conclui.

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