Vacas garvonesas já não correm risco de extinção

Vacas garvonesas já não

Está afastada a ameaça de extinção das vacas garvonesas, depois de no virar do século, em 2000, esta raça autóctone alentejana ter corrido sérios riscos de desaparecer.
Tudo devido ao trabalho árduo de alguns produtores em parceria com a Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), que tem permitido a recuperação de uma raça que deve o seu nome à tradicional Feira de Garvão, no concelho de Ourique.
“Pode dizer-se que a AACB evitou a extinção desta raça”, reconhece ao “CA” Ana Lampreia, técnica da associação sediada em Castro Verde que trabalha directamente com os oito produtores de bovinos garvoneses.
Todos eles se encontram no Alentejo e em pontos tão distintos na região como Almodôvar, Ourique, Barrancos, Vila Nova de São Bento ou Alcáçovas.
No total, existem de momento 540 animais reprodutores (com mais de dois anos) e cerca de 350 jovens (menos de dois anos).
Um quadro bem mais animador que aquele que se verificava em 2000, altura em que a AACB se uniu à Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina num projecto de preservação e reabilitação da raça.
“Hoje em dia já há bastantes mais animais. Antes havia um criador com uma vacada e depois havia uma vaquinha ali, outra aqui… Eram muito poucas e estavam todas espalhadas”, lembra Ana Lampreia.
Desde então, continua a técnica, tem sido imenso o trabalho da AACB, que passa por “identificar os jovens [bovinos] e depois, mais tarde, classificar os adultos” de acordo com as características da raça, que se assemelha muito à raça alentejana e que, geneticamente, se aproxima da raça limousine.
“Todos os nascimentos de bovinos garvoneses passam pela AACB, pois temos de validar a raça. E depois vimos fazer a recolha do sangue para o estudo do ADN e a identificação electrónica nos adultos – fazemos a classificação dos animais e introduzimos o chip. Todos os anos visito, pelo menos, uma vez as explorações ou sempre que se justifique”, explica Ana Lampreia.
À margem deste trabalho de identificação e registo, a associação participa igualmente em feiras do sector para promover da raça e faz a sua caracterização genética através de amostras de ADN.
“E neste momento, por imposição também temos de fazer o controlo da paternidade dos animais”, acrescenta a técnica da AACB.

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Correio Alentejo

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