Um almoço com Castro no coração

Um almoço com

Vestida a rigor e bem penteada, Maria Bárbara Contreiras transborda alegria. Por isso não pára um segundo no espaço polivalente da Escola Secundária de Castro Verde. Circula de mesa em mesa, sempre de sorriso largo, cumprimentando homens e mulheres. Entre beijos e abraços lá vai perguntando pelos netos e outros familiares, ao mesmo tempo que recorda uma história de outro tempo ou uma memória que resiste ao fim de 79 anos de vida. No centro da conversa está sempre Castro Verde, a terra que é o denominador comum de todos os que por ali se encontram e que minutos depois vão estar à mesa no I Almoço dos Castrenses na Diáspora, organizado pela Câmara Municipal no passado dia 20 de Outubro, em fim-de-semana de Feira de Castro.
“Foi uma ideia genial, porque há pessoas que saíram daqui, foram para longe e nunca mais se viram. E este almoço é uma maneira das pessoas conviveram umas com as outas e se voltarem a ver”, conta ao “CA” esta castrense residente na Cova da Piedade. “Fui convidada e tive muito gosto em vir encontrar amigos que não via há mais de 50 anos. Tenho andado a fazer a ‘ronda’ para rever essas caras”, acrescenta a sorrir.
Sentados numa das mesas ao lado está o casal Jacinto e Ideme Mestre. Ele nasceu em Castro Verde, ela no Lombador e ambos estão emigrados na Alemanha há quase meio século. Vieram ao almoço com o neto e não poupam nos elogios à iniciativa. “É a nossa terra e acho bem que, pela primeira vez, façam uma coisa destas”, diz Ideme.
Os irmãos Viriato e Manuel Venes são naturais de São Marcos da Atabueira, onde pai era feitor, e vieram da zona da Grande Lisboa até Castro Verde para matar saudades. “Acho bem esta iniciativa e apoio. Agora iremos passar a palavra e, provavelmente, para o ano que vem vai estar ainda mais gente”, diz o primeiro, de 66 anos e residente em Sintra. “É de louvar este tipo de iniciativas. São sempre agradáveis e propiciam a união entre as pessoas, independentemente das questões políticas”, acrescenta o segundo, de 69 anos e morador no Seixal.
Uma opinião partilhada por Hermínio Gomes, 77 anos, castrense que vive na Moita. “A iniciativa é de louvar e só é pena ser hoje a primeira vez. Já devia ter acontecido mais cedo”, nota.
O I Almoço dos Castrenses na Diáspora juntou quase uma centena de participantes e foi promovido pela Câmara Municipal com um objectivo bem claro: proporcionar um regresso às origens por ocasião da Feira de Castro.
“Pretendemos fazer com que cada vez mais os castrenses regressem à sua terra, nomeadamente nesta altura da Feira de Castro. A nossa esperança é que nos próximos anos esta iniciativa se consolide e seja cada vez maior, sendo capaz de trazer mais castrenses, que se juntem à mesa para recordar a sua história e partilhar as suas memórias”, diz o presidente da autarquia.
António José Brito vinca ainda que o almoço pretende, igualmente, celebrar a Feira de Castro. “A feira é uma coisa de que nos orgulhamos mesmo muito”, diz o autarca, numa opinião que é comprovada pelos participantes na iniciativa.
“A Feira de Castro é uma referência para nós, para o concelho e para os castrenses em particular”, afiança Manuel Venes, ao que acrescenta o irmão Viriato: “Veja lá que hoje deixei dois almoços para trás exactamente para estar aqui: um na Casa do Alentejo e outro em Mem Martins”.
Já para Jacinto Mestre a Feira de Castro “continua a ser um momento importante”, enquanto Hermínio Gomes garante: “A feira permite encontrar pessoas que não vejo há muito tempo, conviver com elas”.
“Olhe, a Feira para mim é tudo”, sintetiza Maria Bárbara Contreiras. “Enquanto por cá andar e possa mexer os pés não perco uma Feira de Castro”, conclui. E continua a “ronda”.

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Correio Alentejo

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