Tribunal de Mértola começou a julgar homem acusado de 11 crimes

Tribunal de Mértola começou a julgar homem acusado de 11 crimes

O Tribunal de Mértola começou ontem a julgar, à porta fechada, um homem de 44 anos acusado de 11 crimes, como os de rapto, sequestro e violação de uma mulher e de tráfico de armas.
No início da primeira sessão, o presidente do colectivo de juízes disse que o julgamento do homem, natural de Lisboa e em prisão preventiva, vai decorrer à porta fechada por envolver crimes de natureza sexual.
O homem é acusado de três crimes de violação, um de coação, um de rapto, um de sequestro, um de ameaça grave e um de violação de domicílio ou perturbação da vida privada de uma mulher.
O arguido é também acusado de um crime de tráfico de armas, um de detenção de arma proibida e um de detenção de munições proibidas.
Segundo a acusação do Ministério Público, disponibilizada à agência Lusa pelo Tribunal de Mértola, o arguido, em Novembro de 2009, seguindo um plano e através de uma rede social na Internet, conheceu a mulher, ficando a saber dados pessoais sobre ela e a família e deu-lhe a conhecer que tinha armas de fogo.
A mulher depois decidiu terminar os contactos com o arguido, que começou a fazer-lhe telefonemas e a enviar-lhe mensagens “de cariz intimidatório e ameaçador”, exigindo-lhe que se encontrasse com ele, “sob pena” de a sua mãe e as suas irmãs “virem a sofrer violentas represálias”.
As ameaças levaram a mulher a encontrar-se com o arguido na tarde de 02 de Dezembro de 2009 num centro comercial de Lisboa, onde a convidou para jantar num restaurante.
A mulher entrou voluntariamente no carro do arguido e quando se apercebeu que estavam a sair de Lisboa em direcção ao sul do país confrontou-o.
O arguido disse à mulher que iam para Mértola, no Baixo Alentejo, o que ela contestou, instando-o a regressar a Lisboa.
“Tu aqui não mandas nada”, disse-lhe o arguido, que depois exibiu uma arma de fogo à mulher com a qual disparou um tiro para o ar através da janela do carro.
Após a viagem, já na Mina de São Domingos (Mértola), o arguido obrigou a vítima a acompanhá-lo a um restaurante e a um bar e, já na madrugada de 03 de Dezembro, forçou-a a entrar na casa dele naquela aldeia, impedindo-a de “qualquer tentativa de fuga”.
Após ameaçá-la com expressões como “esta noite estás por minha conta” e “vou fazer o que quiser contigo”, o arguido violou a vítima duas vezes seguidas e, depois, forçou-a a praticar sexo oral uma vez.
Naquele dia, o arguido, com a vítima sob o seu domínio, foi a Espanha, onde comprou munições para armas de fogo, e, depois, seguiu para Lisboa, onde libertou a mulher.
A partir daquele dia, o arguido seguiu e fez várias ameaças à vítima, através de mensagens por telemóvel e para uma rede social na Internet, “visando coagi-la a novos encontros sexuais”.
A 20 de Abril de 2010, na sequência de buscas às duas casas do arguido, em Lisboa e na Mina de São Domingos, e ao veículo, foram apreendidas várias armas e munições.
Segundo a acusação, o arguido actuou com o objectivo de cometer contra a vítima “crimes contra a sua liberdade e autodeterminação sexual” e, ao forçá-la a ter sexo com ele, agiu “movido por excitação lasciva”, “satisfazendo os seus instintos libidinosos”.

Partilhar

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Correio Alentejo

Artigos Relacionados

Role para cima