Técnico bejense Pedro Caixinha entra na nova época com muita ambição

Técnico bejense Pedro Caixinha entra na nova época com muita ambição

Acabaram-se as férias (pelo menos para alguns)!
Depois de quase três meses de “repouso”, o principal campeonato do futebol português regressa este fim-de-semana, dias 18 e 19, e tem um bejense em destaque: o técnico Pedro Caixinha, que assume de peito aberto a vontade de devolver os madeirenses do Nacional às competições europeias.
“Há vários aspectos que se combinam para traçar essa meta. Primeiro, nos últimos oito anos o Nacional sempre se tem assumido como candidato à Liga Europa. Depois, existe a ambição da estrutura do clube, que já criou bases sólidas para que isso aconteça. E há ainda as nossas ideias de trabalho – e foi para isso que nos contrataram! – e a qualidade do plantel”, justifica ao “CA” o técnico nascido em Beja há 41 anos.
Pedro Caixinha fala com determinação e muita confiança. E sobrepõe os objectivos colectivos às ambições individuais, nem querendo ouvir falar da futebolisticamente tradicional “época de afirmação”.
“Não gosto de falar nesses pontos. Acredito muito em mim, na minha competência e naqueles que trabalham comigo. E achamos que juntos, também com a competência do grupo de jogadores e da estrutura do Nacional, somos capazes de expressar mais este potencial que temos”, riposta.

<b>Aprender em Leiria…</b>
A ambição de Pedro Caixinha tem razão de ser, pois no último ano colocou o Nacional a praticar bom futebol e devolveu a equipa à metade superior da tabela classificativa.
Um trabalho que o técnico quer agora continuar em 2012-2013, época em tudo diferente das duas anteriores temporadas, que o treinador bejense começou em Leiria e onde as condições eram poucas ou nenhumas.
“O ano passado falou-se que no Sporting entraram 19 jogadores, mas em Leiria também entraram 19 jogadores. E desses 19, quase todos entraram a duas semanas do início do campeonato. Aqui passa-se precisamente o contrário”, argumenta Pedro Caixinha.
A relação com o emblema do Lis durou pouco mais de um ano, mas serviu, pelo menos, para o técnico tomar contacto com o “lado negro” do futebol, aquele onde faltam glória e euros ao mesmo tempo que sobram dificuldades… e dificuldades… e mais dificuldades!
“Passei por maus momentos em Leiria, mas também cresci muito nesses maus momentos. Há questões que são do foro interno e não quero comentar, mas a maior delas são do domínio público. Foram aspectos difíceis em termos de muitas situações que um profissional de futebol não devia passar e que nós próprios, em termos de exigência com os profissionais de futebol, também não deveríamos passar. Porque é difícil estar a exigir o cumprimento dos deveres dos jogadores quando os direitos deles não são respeitados. Mas também aí aprendi muito”, confidencia.

<b>Onde anda a ousadia?</b>
Em pouco mais de oito anos Pedro Caixinha passou dos campos do campeonato distrital para a principal liga nacional, com passagens como adjunto pelo Sporting, Panathinaikos (Grécia) e selecções da Arábia Saudita.
Um percurso sempre ascendente que, admite, o faz ser actualmente o principal “modelo de referência” para grande parte dos treinadores da região.
“Posso sê-lo, tal como na minha altura de estudante o eram o José Romão – que só conheci pessoalmente quando estive a estudar em Vila Real – ou o ‘Chico Papa’ [Francisco Agatão, antigo adjunto de Carlos Manuel e actualmente treinador dos açorianos do Operário]”, vinca.
A falta de tempo impede Caixinha de acompanhar mais de perto as incidências do futebol distrital.
Daí a surpresa ao saber que emblemas como o Despertar ou o Ferreirense acabaram de suspender o futebol sénior, situação que o técnico “justifica” com as características típicas de uma região onde arriscar não é a regra.
“Vê-se que houve um crescimento e desenvolvimento em termos de instalações desportivas, que por si já levariam ao aumento daquilo que é a qualidade do jogo que se pratica nessas infra-estruturas. Mas parece-me que a qualidade dos jogadores não seguiu este aumento de qualidade do jogo. Temos instalações, mas se calhar não temos pessoas para poder potenciar essas instalações. Fruto daquilo que somos como alentejanos, com muita resistência à mudança, pensando por vezes que sabemos tudo e tendo medo de arriscar”, conclui.

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Correio Alentejo

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