Seca causa prejuízos no Campo Branco

Seca causa prejuízos no Campo Branco

Sem perspectivas de chuva no horizonte e com um quadro de seca cada vez mais acentuado na região, os agricultores do Campo Branco já começaram a recorrer às reservas de feno, palha ou cereais que tinham para o Inverno para alimentar, em pleno Verão, o seu efectivo pecuário. A revelação parte do presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), com sede em Castro Verde, que teme problemas mais graves nas explorações agrícolas com o passar do tempo (e a falta de precipitação).
“O problema que se coloca na nossa zona é a falta de alimentação, que está obrigar a que se utilizem as reservas de feno, feno-silagem, palha e cereais que estavam guardadas para o Inverno. Tem havido um consumo antecipado dessas reservas, o que quer dizer que no Inverno vamos ter problemas muito graves, porque não vamos ter alimentação própria para os animais”, adverte José da Luz Pereira em declarações ao “CA”.
De acordo com o presidente da AACB, a situação de seca que a região enfrenta fez com que se confirmasse as previsões de “restolhos fracos” e pastagens e pousios sem valor. “As ervas boas não nasceram porque não choveu na Primavera, portanto os animais nem sequer querem ir para os pousios, o que é impressionante”, observa José da Luz Pereira.
Perante esta situação, muitos produtores pecuários já começaram a comprar rações, por forma a poderem manter algumas das suas reservas. “Vão conciliando uma coisa com a outra em vez de comprarem tudo no Inverno”, justifica o dirigente associativo, reconhecendo que tudo isto coloca em causa a sustentabilidade económica das explorações.
“É já um acumular de muitos anos em que as despesas com a alimentação dos animais é muito grande, porque as condições climatéricas na nossa região são adversas há muitos anos. E o rendimento dos produtores é constantemente penalizado porque têm de recorrer a rações compradas para grande parte da alimentação dos animais”, argumenta.
Todo este quadro leva José da Luz Pereira a não ter dúvidas que, a partir de Outubro, vá “haver dificuldades na alimentação se não chover”. “As previsões que se conhecem para Setembro e Outubro anunciam temperaturas altas e pouca chuva em relação à época que vamos atravessar. Portanto, o futuro continua a ser muito negro para a agricultura no Campo Branco”, vinca.
Ainda que a seca no Campo Branco possa vir a afectar a disponibilidade de alimentação do efectivo pecuário na região, o presidente da AACB garante no plano do abeberamento essa questão não se coloca… para já. “Por enquanto, não temos ainda casos graves de falta de água para abeberamento pecuário pois fizemos um trabalho muito grande nos últimos anos nesse sentido. A situação está controlada”, afiança José da Luz Pereira.

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Correio Alentejo

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