Renúncia quaresmal em Beja vai apoiar vítimas do mau tempo e crianças de Moçambique

Bispo de Beja - Fernando Paiva (mar 2024)

O bispo de Beja anunciou, na mensagem para a Quaresma divulgada a 17 de fevereiro, que a renúncia quaresmal da Diocese vai ser destinada ao apoio de crianças em Moçambique e às vítimas das tempestades que assolaram o país nas últimas semanas.

D. Fernando Paiva explica que o montante será dividido em duas partes, sendo que uma será para “ajudar na construção de uma escolinha/infantário para crianças dos três aos cinco anos”, na cidade moçambicana de Gurúè, Diocese de Gurúè, “numa região marcada por grandes carências, de acordo com o parecer do Conselho Presbiteral”.

Apesar da “situação difícil” da Diocese e suas necessidades, para a qual a outra parte do valor estava inicialmente destinada, o bispo dá conta que Beja não será indiferente aos danos provocados pelo mau tempo em Portugal, na sequência de sucessivas depressões.

“Em virtude da dimensão dos danos causados nos últimos dias, esta outra metade será encaminhada para o socorro das situações mais prementes que resultaram das referidas tempestades”, indica.

D. Fernando Paiva esclarece que “assim que chegarem à Diocese os valores desta Renúncia Quaresmal de 2026, serão publicamente divulgados e enviados para os respetivos destinos”.

“Ao vivermos, como Diocese, gestos concretos de renúncia e de solidariedade, transformamos o sacrifício pessoal numa expressão autêntica de amor fraterno”, ressalva.

No texto, o bispo destaca que o gesto da imposição das cinzas, com que se iniciou a 18 de fevereiro o tempo quaresmal, recorda “a fragilidade” da “condição humana e a necessidade de conversão”.

“É um tempo privilegiado para escutar a Palavra de Deus, permitindo que ela ilumine a nossa consciência e nos conduza a uma vivência mais fiel e autêntica da fé que professamos”, realça.

Lembrando a mensagem do Papa Leão XIV para este período litúrgico, D. Fernando Paiva destaca o convite à generosidade na hospitalidade, na Escuta da Palavra de Deus, e à escuta do clamor dos pobres.

“A vivência e a resposta a esta dupla escuta concretizam-se, e de uma forma mais intensa neste percurso quaresmal, nomeadamente, na prática quotidiana da Oração, alimentada pela Palavra de Deus e pela atenção aos que sofrem”, escreve.

“No Jejum, que não apenas nos faz crescer na virtude da temperança, como orienta o nosso desejo para Deus e nos abre ao cuidado dos mais carenciados e na Esmola, que materializa a compaixão diante do irmão que sofre”, acrescenta.

Na mensagem, o bispo convida a acolher o “tempo da Quaresma como um dom, como uma oportunidade” de cada um se aproximar, “ou melhor”, de deixar que Deus se aproxime.

“Que o nosso caminho quaresmal seja abundantemente iluminado pela Palavra de Deus e pelo clamor dos pobres. A todos abençoo”, finaliza.

A Quaresma é um tempo litúrgico de 40 dias (a contagem exclui os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência; serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão (5 de abril, em 2026).

A renúncia quaresmal é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.

A Igreja Católica iniciou esta quarta-feira o tempo da Quaresma, o período de preparação para a Páscoa que, em 2026, se celebra a 5 de abril.

Texto: LJ/OC_Agência Ecclesia

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