Quercus diz que parque eólico da Serra de São Mamede cria problemas

Quercus diz que parque eólico da

A associação ambientalista Quercus alerta para “vários problemas” detectados na Serra de São Mamede (Portalegre) com a instalação de um parque eólico, afirmando-se contra a construção de equipamentos do género em áreas classificadas.
Em comunicado, a Quercus considera que a construção do parque eólico deveria ter sido alvo de uma “avaliação” antes, durante e depois da sua implantação, de forma a “evitar” efeitos “indesejáveis” na paisagem, geologia e flora da zona.
“Isso não aconteceu [avaliação] no parque eólico do Alto dos Forninhos, onde pelos impactes que se preveem ocorrerem, por exemplo ao nível da fauna (morcegos e aves sobretudo), deveria ter sido realizada uma Avaliação de Impacte Ambiental, mas apenas foi realizada uma Avaliação de Incidências Ambientais”, lê-se no documento.
O primeiro parque eólico do distrito de Portalegre, obra que deverá estar concluída durante o mês de Março no Alto do Fornilhos, em plena Serra de São Mamede, conta com um investimento que ronda os nove milhões de euros.
O equipamento pertence a uma empresa ligada ao sector, tendo a sua concretização contado com a parceria da Agência Regional de Energia e Ambiente do Norte Alentejano e Tejo (AREANATejo).
Tiago Gaio, da AREANATejo, explica à Lusa que o parque eólico vai permitir o fornecimento de energia equivalente a uma grande parte do consumo da cidade de Portalegre, embora a energia seja “injectada” na rede para depois ser distribuída.
"No fundo, é uma produção de energia equivalente ao consumo doméstico da cidade”, diz.
O parque, que vai funcionar com quatro aero-geradores, permitirá produzir energia eléctrica “limpa”, por via da redução de emissões de CO2, e poupança na factura nacional de importação de combustíveis fósseis.
No entanto, apesar de ser “favorável” à utilização de energias renováveis, a Quercus considera que é “importante relembrar” que mesmo as energias renováveis “não têm impactes neutros” no ambiente e, nalguns casos, poderá ter efeitos “muito negativos”.
A Quercus defende que as populações “deveriam ter sido envolvidas” no processo que levou à decisão de instalar o equipamento, criticando ainda os “impactes visuais” que o projecto provoca.
A organização alega ainda que o “perfil” da Serra de São Mamede fica “alterado”.
No documento, a Quercus denuncia também ter “verificado que existiram alterações” ao projecto, tais como o alargamento da Estrada Municipal 522, que “nem sequer estava previsto” no projecto inicial da obra.
“Tais alterações provocam ainda um maior impacte na flora e na fauna, através da pressão humana acrescida e da criação de um efeito barreira nessa área”, denuncia.

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Correio Alentejo

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