Programa de Sustentabilidade do Azeite quer criar valor para o setor

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O Programa de Sustentabilidade do Azeite (PSA), promovido pela associação OLIVUM, com sede em Beja, pretende criar valor para o setor em Portugal e permitir que os produtores nacionais possam conquistar espaço num mercado global “cada vez mais exigente”.

“Há, de facto, mercados e consumidores que estão disponíveis para pagar mais por um produto que é produzido de uma forma certificada e sustentável e isso é, obviamente, aquilo que nós também pretendemos”, diz Gonçalo Moreira, gestor do PSA.

Com esta certificação “queremos principalmente chegar a novos mercados e a consumidores que valorizam este tipo de práticas e este tipo de formato de produção sustentável”, acrescentou.

A iniciativa arrancou há quatro anos, ainda como Programa de Sustentabilidade do Azeite do Alentejo, numa parceria da OLIVUM com a Universidade de Évora, acabando por assumir uma abrangência nacional em 2024.

“Somos um país pequeno e um setor que não tem assim tantas diferenças na sua produção, pelo que não fazia sentido manter este programa apenas no Alentejo”, justifica o gestor do PSA.

Gonçalo Moreira acrescenta que o “grande objetivo” da OLIVUM com o lançamento deste programa foi “diferenciar o nosso azeite e garantir que temos um produto que é absolutamente sustentável”.

Os processos de auditorias no âmbito do PSA acabaram por arrancar em 2025, assentando num referencial composto por 98 critérios, organizados em 26 capítulos, que avalia as dimensões “ambientais, sociais e económicas da produção de azeite”.

“Há, de facto, mercados e consumidores que estão disponíveis para pagar mais por um produto que é produzido de uma forma certificada e sustentável e isso é, obviamente, aquilo que nós também pretendemos”, diz Gonçalo Moreira, gestor do PSA

Segundo a OLIVUM, em comunicado, o programa foi concebido como “uma ferramenta de apoio às empresas no seu percurso de sustentabilidade”, “um mecanismo de reconhecimento formal de boas práticas já existentes no setor” e “um instrumento de diferenciação credível num mercado global cada vez mais exigente”.

A Casa Relvas, que tem o seu lagar no concelho da Vidigueira, acabou por ser o primeiro produtor certificado com o selo do PSA, mas Gonçalo Moreira garante que outros se seguirão.

“Tivemos uma muito boa adesão” ao programa e “temos mais empresas que estão muito próximas de poder vir a ter a sua certificação”, acrescenta, sem precisar o número de produtores em vias de serem certificados.

Segundo o gestor, o selo do PSA estará visível nos rótulos das garrafas de azeite dos produtores certificados.

No entanto, explica, noutros casos, “a azeitona que sai do campo e que é certificada também irá acompanhada de um certificado, assim como o azeite que sai a granel dos lagares também será acompanhado de um certificado, para que depois quem embala também tenha que cumprir” com as normas do processo.

Gonçalo Moreira destaca ainda o facto de o PSA ser um processo “pioneiro” a nível mundial, estando a despertar “bastante interesse por parte de outros mercados estrangeiros”, nomeadamente Espanha, Itália, Austrália  ou Estados Unidos da América.

“É um programa que gostaríamos muito de ver comunicado lá fora, para que o nosso azeite tenha esse valor acrescentado e essa diferenciação. Pode ser que, no futuro, consigamos que o programa consiga ultrapassar fronteiras”, conclui.

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