Porco alentejano bem valorizado pelo mercado espanhol

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O ano de 2025 (e o arranque de 2026) correu bastante bem para os produtores de porco alentejano, com os animais produzidos no nosso país a serem bastante valorizados pelo mercado espanhol, diz ao “CA” o presidente da Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA), com sede em Ourique.

De acordo com Nuno Faustino, “em termos de mercado, 2025 foi um ano bom” e 2026 “também está a ser”. “Os preços de mercado estão muito razoáveis e este ano subiram ainda mais”, afiança.

O presidente da ACPA revela que os espanhóis estão a pagar, no caso do porco alentejano “de montanheira”, o mais valorizado por nuestros hermanos, “cerca de 44,5 euros por arroba”, o que no caso do país vizinho corresponde a um total de 11,5 kgs de “peso em vivo”.

Apesar deste bom momento do setor em termos de valorização de mercado, o efetivo e o número de produtores de porco alentejano na região não têm aumentado, nem se tem registado “uma renovação geracional”, frisa Nuno Faustino.

“Não se vê, de facto, uma grande evolução do número de criadores e do número de animais. Sobretudo por questões relacionadas com o declínio do montado na nossa região, mas também pela excessiva burocracia associada”, diz.

“Os preços de mercado estão muito razoáveis e este ano subiram ainda mais”, afiança o presidente da ACPA, Nuno Faustino.

De acordo com o dirigente associativo, na região existem atualmente perto de 50 produtores e um efetivo de cerca de 2.000 a 2.5000 porcas reprodutoras, mais 2.500 a 3.000 porcos para engorda em montanheira e aproximadamente 1.000 porcos pretos, ou seja, cruzados da raça alentejana com a raça Duroc.

A par disso, continua Nuno Faustino, os recentes anos de seca também levaram muitos produtores a ficarem “desanimados”, dado “não haver bolota, não haver água e a engorda ser deficiente”.

O presidente da ACPA aponta ainda outros problemas verificados no setor, a começar pela “sombra” que é a peste suína africana, com casos já registados em Espanha e que pode vir, no futuro, a ameaçar os efetivos em solo nacional. “É um problema gravíssimo, que mata os porcos em pouco tempo. Felizmente ainda não chegou cá e esperamos que não chegue, mas esse espectro existe”, frisa.

A “elevada população de javalis” na região, “disseminadora” de muitas doenças e causa de elevados estragos nas explorações, é outro dos problemas referidos por Nuno Faustino, tal como o facto de existir “pouca indústria nacional” associada à atividade pecuária.

“Tal é, de facto, um travão ao crescimento do porco alentejano, porque não havendo indústria também não é possível crescer muito mais. Não temos indústria nacional e isso é mais uma fragilidade nossa, pois estamos dependentes da exportação”, conclui.

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