PCP acusa Governo de meter Alentejo "ao abandono"

PCP acusa Governo de

O líder parlamentar do PCP, João Oliveira, considera que o Orçamento do Estado (OE) anunciado para 2014 vai colocar a região do Alentejo ao “abandono e ao atraso”.
“O volume de investimento público para toda a região Alentejo é de 0,5 por cento, o que traduz o desinteresse do Governo e desta maioria pela região”, lamentou esta segunda-feira, 18, João Oliveira, eleito pelo círculo de Évora.
Apontando que o OE para 2014 apresenta para a região do Alentejo um “desinvestimento”, o deputado comunista indicou que a previsão de investimento é de “23 milhões de euros”, o que faz com que esta seja a NUT II com “menor” investimento (0,5%).
João Oliveira, que falava numa conferência de imprensa em Portalegre da Direcção Regional do Alentejo do PCP sobre o OE para 2014, afirmou ser “possível construir uma outra política" e que os alentejanos “não estão condenados” a este tipo de situações.
No encontro com os jornalistas, o deputado comunista João Ramos, eleito pelo círculo eleitoral de Beja, reiterou que o OE para o próximo ano “não é equitativo” e que “mantém o rumo de empobrecimento da generalidade dos portugueses".
Sobre os serviços desconcentrados do Estado, o deputado afirmou que alguns têm “reduções dramáticas”, dando como exemplo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo que terá, em 2014, uma redução nas verbas para funcionamento de “55,5%” e nas verbas para investimento de “99%”.
“Isto é, praticamente não terá investimento e terá uma redução drástica, superior a 50%, do seu funcionamento”, sublinhou.
Na componente cultural, João Ramos lamentou que a Direcção Regional de Cultura sofra uma redução no funcionamento de “14%”, sublinhando que o Governo tem vindo a “prejudicar fortemente” a cultura no Alentejo.
Na área do ensino superior, chamou à atenção para cortes superiores a “sete milhões de euros”, o mesmo sucedendo na Direcção Regional de Agricultura e Pescas, que terá uma redução no orçamento de “16,3%”.
Relativamente à Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, o orçamento, segundo os comunistas, mostra uma “realidade pior”, apresentando uma redução de “7,13%” nas verbas para pessoal.
Os deputados comunistas, que lamentaram também os cortes anunciados para as autarquias, recordaram que, no âmbito da discussão já realizada na especialidade, foram os “únicos que denunciaram” os problemas da região e “exigiram” soluções e “confrontaram” o Governo com as suas opções.
Nesse sentido, o PCP denunciou que, durante as discussões, o Governo “assumiu que não intervirá” em estruturas rodoviárias, nomeadamente no IP8 e no IP2, “nem quando haverá” intervenções no aeroporto de Beja.
“O mesmo Governo que reduz o funcionamento das estruturas descentralizadas, mostra-se sem interesse em resolver importantes problemas da região, retirando-lhe instituições que podem ter um importante papel no desenvolvimento e na coesão territorial e social”, afirmou João Ramos.
O deputado acusou ainda o Governo de “desmantelar” a Coudelaria de Alter do Chão, transferindo competências e gestão para fora da região, pelo eventual encerramento do Centro de Formação da GNR de Portalegre e pelo “adiamento sem calendário” da construção do novo hospital central de Évora e da barragem do Pisão, no concelho do Crato.

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Correio Alentejo

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