Napoleão Mira lança disco de poesia

Napoleão Mira

“Um sonho misturado com uma boa dose de loucura” – Napoleão Mira não usa meias-palavras sobre a sua nova “aventura” editorial: o disco “12 Canções Faladas e 1 Poema Desesperado”.
O trabalho foi gravado em parceria com Reflect (Pedro Pinto) e de lançado no final de Fevereiro, num concerto no Teatro de Portimão.
“É mais o materializar de um sonho misturado com uma boa dose de loucura. Sim, porque eu levo a minha loucura muito a sério! Para além disso, é também uma forma de deixar por cá a minha peugada depois da vida e dos sonhos se esfumarem”, conta ao “CA”, notoriamente entusiasmado com o acabamento desta nova etapa que todos podemos desfrutar agora.
Natural de Entradas (Castro Verde), Napoleão Mira assume que se trata de um “trabalho maduro, já com um ano de estrada” e fruto de muitos espectáculos realizados. E a receita é muito simples: o disco reúne a poesia de Napoleão Mira (mas não só!) “transformada em canções faladas” e também a arte de Álvaro de Campos, Reflect e Carolina Tendon (a jovem namorada deste último que faleceu inesperadamente há cerca de um ano).
“A Carolina foi o gatilho, o fio condutor, a alinhadora de astros que fez com que este projeto ganhasse asas e agora andasse por aí de terra em terra”, assinala Napoleão Mira, destacando também a participação do seu filho, Sam The Kid, da banda Orelha Negra e de Dino D’Santiago.
“O Sam The Kid é uma enorme mais-valia para a valorização do produto final. Em tudo o que toca ele transforma em arte e isso nota-se nos três temas em que intervém”, explica Napoleão Mira, revelando ainda que o tema “Porque Sou Uma Criança” foi musicado pelos Orelha Negra, que Sam The Kid integra.
Satisfeito com as parcerias alcançadas, Napoleão Mira destaca ainda o resultado final de “Filhos do Gueto” – um tema que conta com a voz do cantor Dino D’Santiago e que, depois de várias versões, parece ter atingido o seu clímax.
“Às vezes uma música demora anos a atingir a maioridade. Foi o caso deste ‘Filho do Gueto’. Quando a terminámos os nossos olhos inundaram-se de lágrimas, sinal de que a partir de agora já não lhe voltaremos a tocar”, confessa Napoleão.
Refira-se que este disco nasceu na sequência de uma série de espectáculos com o mesmo nome que foram apresentados em vários palcos. Napoleão Mira admite que a sua edição é um desfecho natural mas, desde logo, avisa que há na obra “outras nuances, outras preocupações estéticas e o apuro musical que só o estúdio pode oferecer”.
“Quem o escutar, encontrará algumas preciosidades harmónicas impossíveis de concretizar ao vivo. Se bem que ao vivo, exista sempre a magia da reinvenção e um espectáculo seja sempre diferente do outro”, refere.
O entusiasmo de Napoleão é contagiante e promete novas etapas. Consciente que esta parceria com os Reflect foi “um bálsamo” na sua vida e destacando que a maioria dos seus “companheiros de aventura” têm idade para serem seus netos, o performer confessa que está a beber “ideias, energia, conhecimento e profissionalismo” – “Esta gente que tanto admiro é o núcleo duro da Kimahera, esse laboratório de artes com sede em Armação de Pêra, que subsiste sem apoios de nenhuma ordem. É um privilégio partilhar tempo de vida com esta tribo”, revela.
Uma “tribo” que está agora pronta para a estrada! Portimão deverá ter um segundo espectáculo em data a anunciar e o arranque da “tour” no resto do país até será no Baixo Alentejo: Mértola (22 de Março) e Moura (2 de Abril). Seguem-se a Casa Independente em Lisboa (8 de Abril) e Palmela (14 de Maio).

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Correio Alentejo

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