Misericórdias de Portalegre ponderam despedimentos

Misericórdias de Portalegre

O secretário regional de Portalegre da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Mário Cruz, alerta que a falta de meios financeiros para assegurar o funcionamento dos lares de idosos poderá provocar o despedimento de funcionários nas instituições.
Em declarações à Agência Lusa, o responsável lamenta a falta de recursos financeiros, alertando que há instituições no distrito de Portalegre que estão a “ponderar despedir pessoal", devido à conjuntura e à “falta de utentes".
Mário Cruz explica que, com excepção de “duas ou três” misericórdias, num universo de 24 no distrito de Portalegre, as restantes vivem no “fio da navalha”, assinalando que as instituições vivem dependentes dos acordos com o Governo.
“Os acordos não são alterados desde 2009, a situação do nosso país alterou-se substancialmente e as que vivem da comparticipação do Estado têm grandes dificuldades”, diz.
Mário Cruz relata que o número de utentes também está a “diminuir”, dando como exemplo a misericórdia que dirige, em Crato.
Para exemplificar as dificuldades que atravessam as misericórdias do distrito de Portalegre, o responsável indica existirem casos de utentes que pagam a sua mensalidade, com a sua pensão e com o apoio dado pelo Governo, mas esse valor “não chega, nem de perto, nem de longe”, para pagar o custo médio do utente.
O secretário regional de Portalegre da UMP relata, ainda, existirem casos de famílias que estão a reter os idosos em casa, porque, como estão desempregados, asseguram os cuidados ao idoso, usufruindo das pensões para fazer face às despesas mensais.
“As famílias, devido à situação do país, não têm necessidade de colocar os seus familiares nas instituições, porque, como estão desempregados, podem ficar com eles em casa e, automaticamente, ficam com a sua pensão”, refere.
Segundo Mário Cruz, “já não há, nem de perto nem de longe”, a procura de vagas que existia noutros tempos por parte dos familiares para fixarem os idosos nos lares.
O responsável mostra-se, ainda, preocupado no que diz respeito ao futuro, observando que a situação que o país atravessa “não é favorável” ao desenvolvimento das instituições.

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Correio Alentejo

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