Memórias do campo para ver em Entradas

Memórias do campo

A “campanha do trigo” transformou radicalmente a paisagem do Baixo Alentejo, com as searas a ganharem espaço até ao horizonte. Na década de 50 do século passado era no campo que grande parte das populações tinha o seu “ganha-pão”, debaixo do sol tórrido do Verão. Memórias de um tempo em que faltavam as máquinas e abundava a “mão-de-obra barata” que o Museu da Ruralidade, na vila de Entradas (Castro Verde), recupera na sua nova exposição.
A mostra “Os Campos do Baixo Alentejo da Década de 50” é inaugurada nesta sexta-feira, 26, pelas 18h00, num momento que assinala igualmente a abertura do novo Pavilhão de Reservas do Museu da Ruralidade e o oitavo aniversário deste espaço museológico, dinamizado pela Câmara de Castro Verde.
“Nesta exposição os visitantes podem observar um conjunto de peças relacionadas com a actividade nos campos do distrito de Beja neste período e aceder, de forma simples e bastante visual, embora não superficial, a um quadro explicativo da agricultura e da sociedade rural sintetizada em três grandes áreas: estrutura fundiária, modos de produção e condições de vida dos trabalhadores do campo”, explica ao “CA” Constantino Piçarra, responsável pelo Museu da Ruralidade.
De acordo com este historiador, a mostra apresenta “15 painéis, profusamente ilustrados com fotografias da época”, onde “o visitante pode inteirar-se da organização da propriedade, da composição social vigente e da tecnologia utilizada nas tarefas agrícolas, bem como de outros aspectos ligados à vida no campo como condições de habitabilidade e preço de salários e produtos da terra”.
A isto juntam-se “cerca de 100 fotografias projectadas de forma contínua, o que ajuda o visitante a integrar-se no ambiente da época”, assim como “um conjunto de peças, restauradas para o efeito”. “Estas peças fazem parte de um enorme acervo que o Museu foi adquirindo ao longo dos seus oito anos de existência e que, dentro das possibilidades do Museu, irão sendo recuperadas e disponibilizadas ao público”, acrescenta Constantino Piçarra.
Além da exposição “Os Campos do Baixo Alentejo da Década de 50”, o Museu da Ruralidade inaugura também nesta sexta-feira, 26, mas no Núcleo de Oralidade, a mostra de serigrafia “A Sul, na sombra da cal”, da autoria do pintor Joaquim Rosa, de Castro Verde.
A mostra, que é inaugurada pelas 19h00, reúne uma série de trabalhos em que o artistas recria na tela as “tardes estivais” a Sul, onde “na sombra da cal, homens, já de idade, calejados pelo sol das últimas ceifas e debulhas onda a força do braço humano ainda era imprescindível, falam no silêncio do calor abafado”.

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Correio Alentejo

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