Manuel Castro e Brito: Impasse em Alqueva "é uma catástrofe"

Manuel Castro e Brito: Impasse em Alqueva "é uma catástrofe"

O presidente da ACOS – Agricultores do Sul está bastante preocupado com o futuro do Alqueva e, sobretudo, com a sustentabilidade dos projectos agrícolas que esperavam receber água da barragem a partir de 2013.

<b>À imagem do país, também a agricultura está em crise?</b>
Sim. A agricultura reúne agricultores e empresas agrícolas, que enfrentam os mesmos problemas das outras empresas. Com mais um, que é o factor tempo e que pesa muito na agricultura. Portanto, as coisas não estão fáceis.

<b>A situação no Alentejo é preocupante?</b>
A situação no Alentejo começa a ser preocupante, uma vez que os agricultores enfrentam uma quebra de preços nos produtos agrícolas. Ou pelo menos, uma não actualização de preços na generalidade dos produtos! Enfrentam também uma Política Agrícola Comum (PAC) que está em constante transformação, cada vez com mais obrigações da parte dos agricultores. E agora uma situação de seca muito complicada e que irá trazer muitos prejuízos. Aliás, já está a causar muitos prejuízos…

<b>Estima uma quebra nas colheitas?</b>
Ainda é cedo e ainda pode chover… Mas de qualquer maneira, já há um atraso muito grande nas colheitas, principalmente nos cereais de sequeiro em extensivo. Também as pastagens estão muito atrasadas e já existe prejuízo.

<b>Na passada semana assinalou-se o 10º aniversário do fecho das comportas da barragem do Alqueva. Uma década depois, o projecto é uma desilusão para os agricultores da região?</b>
O que acontece é que 50 mil hectares de regadio já existem. Faltam agora mais 60 mil hectares, o que requeria um investimento muito pequeno tendo em conta o que já foi gasto no regadio do Alqueva. Mas parece – parece não, é certo! – que por motivos políticos a obra não irá avançar. Existem no terreno muitos milhares de hectares já plantados, principalmente com olival e vinha, que esperam neste momento a água do Alqueva. Só aqui à volta de Beja estamos a falar de 12 mil hectares do perímetro do Pedrógão, que já estão plantados e que este ano terão certamente grandes dificuldades.

<b>Quais poderão ser as consequências deste impasse em torno do futuro do projecto?</b>
Neste caso particular, o que está aí é uma catástrofe. São prejuízos enormes, projectos que não vão ser rentáveis e que certamente trarão grandes prejuízos aos agricultores que tiveram a coragem de antecipar estas culturas.

<b>LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NA EDIÇÃO DE 10 DE FEVEREIRO DO "CORREIO ALENTEJO", JÁ NAS BANCAS</b>

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