A língua azul está de regresso ao Campo Branco! Nas últimas semanas foram detetados vários focos da doença em rebanhos de cerca de 180 explorações da região, que abrange os concelhos de Castro Verde, Aljustrel, Almodôvar e Ourique, assim como parte do de Mértola, causando elevados prejuízos aos produtores.
O cenário é confirmado ao “CA” pela veterinária Ana Rita Simões, da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), sediada em Castro Verde, adiantando que “desde o início de setembro” que começaram a surgir ovinos doentes com língua azul, “suspeitas que vieram a confirmar-se laboratorialmente”.
“Passado cerca de um mês, podemos dizer neste momento que estamos em situação de surto de língua azul nos nossos rebanhos”, reconhece esta responsável.
De acordo com Ana Rita Simões, em 2024 a evolução da doença nesta região “não foi tão dramática como foi noutras zonas do Alentejo”, casos de Évora ou Beja, “mas este ano [a língua azul] chegou com alguma intensidade”.
“Neste preciso momento, todos os dias temos notificações de casos novos”, afiança a veterinária da AACB, adiantando que existem perto de 180 explorações afetadas por “um quadro de doença, quer animais que não foram sujeitos a vacinação, quer animais que foram sujeitos a ação de vacinação na campanha” iniciada em abril.
Tudo isto faz com que se registe no Campo Branco uma “elevada” taxa de morbilidade nos rebanhos naquela que é “uma altura sempre complicada”, dado tratar-se da época reprodutiva, em que os produtores “têm muitos animais que estão gestantes”.
“Podemos dizer neste momento que estamos em situação de surto de língua azul nos nossos rebanhos”, reconhece a veterinária Ana Rita Simões ao “CA”
Ana Rita Simões adianta igualmente que as análises realizadas apontam para que seja o serotipo 3 da doença o mais ativo e predominante, à imagem do que sucedeu em 2024, reconhecendo ser “um vírus muito complicado e muito agressivo”.
Além do mais, continua, a vacina utilizada para combater este serotipo da doença pode estar a não ter a eficácia desejada, o que já levou a AACB a contactar o laboratório responsável pela sua produção.
A par disso, a associação informou as autoridades competentes sobre o surto, nomeadamente a Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), para que sejam tomadas medidas “no terreno”.
“Temos feito toda esta notificação para os serviços oficiais, para demonstrar a gravidade em que estamos, e a reportar também estas situações da vacinação, que efetivamente não está a ser muito efetiva”, diz a veterinária.
Questionada sobre a possibilidade de se iniciar uma nova campanha de vacinação contra a língua azul no Campo Branco, Ana Rita Simões diz que essa é uma avaliação “que tem que ser feita sempre pelo médico veterinário assistente da exploração”.
“Nestas situações de surto, temos que avaliar muito a condição do animal e se este terá condição ou não para reagir a uma vacinação. Portanto, essa avaliação terá sempre que ser feita pelo médico veterinário responsável da exploração”, esclarece.
Certo é que a doença pode permanecer nos rebanhos do Campo Branco por mais algum tempo, enquanto persistir o tempo seco e quente das últimas semanas.
Este clima “é o ideal para este vetor, que gosta muito desta temperatura e até da humidade que muitas vezes temos pela manhã”, diz Ana Rita Simões, concluindo: “Isto só abrandará quando, efetivamente, o tempo começar a arrefecer”.








