José Saúde conta a história de 113 clubes

José Saúde conta a

O novo livro de José Saúde percorre, um-a-um, todos os clubes que estão filiados na Associação de Futebol de Beja (AFB) desde a sua fundação em 30 de Março de 1925.
A obra, editada pela associação, percorre nove décadas de memórias e relatos, apresenta os clubes, a sua criação e trajectórias.
O jornalista, que antes já escrevera dois volumes de As Glórias do Passado, inteiramente dedicados aos jogadores que se distinguiram na região, enveredou agora pela síntese do historial dos clubes depois do desafio que lhe foi lançado pela AFB.
“No ano passado surgiu esta oportunidade, através de um repto lançado pelo José Luís Ramalho [presidente da AFB]. Agarrei-me a coisas que tinha e ao livro do [saudoso jornalista] Melo Garrido. E entretanto vim para o terreno saber o que se tinha passado com os clubes. Foi nessa luta titânica que andei um ano e tal para elaborar este livro”, conta José Saúde, de 65 anos.
A obra aí está: pronta para ser consultada, lida e guardada num lugar especial. Com prefácio de Luís Covas Lima quase 250 páginas repletas de informação e fotografias, José Saúde não esconde que “é difícil elaborar uma obra” com estas características.
“Não é fácil falar cronologicamente de todos os clubes consoante a sua data de fundação, mas consegui e aqui fica um documento para memória futura”, acentua o autor, que inicia o livro com a história do clube mais antigo (o Luso de Beja) e apresenta os restantes 113 que gradualmente se filiaram na AFB, “embora muito deles tenham tido uma passagem efémera [nas competições] e pouca exista da sua história”,
Tão grande compilação obrigou Saúde a um atuado trabalho de pesquisa numa região onde rareiam as fontes.
Isso tornou a “missão” mais exigente, porque “não existe nada escrito, os clubes pouco têm e a AFB, devido a uma fatalidade climatérica no passado, perdeu grande parte do seu arquivo”.
“Isto foi difícil e obrigou-me a ir ao fundo do baú, onde se encontravam alguns acontecimentos históricos que corriam o risco de se perder no limbo do esquecimento se porventura não houvesse este trabalho”, acentua José Saúde, que revela ter “batido a muitas portas” para reunir o máximo de informação.
José Saúde não esconde o seu orgulho e entusiasmo com a obra que acaba de lançar. A seu ver, o livro apresenta “coisas curiosas e extraordinárias” que vão desde o local onde o futebol era praticado (nas eiras!) até ao campo muito especial da Zambujeira do Mar… em plena praia.
“Na Zambujeira do Mar jogava-se na praia à noite, com o luar e a maré vazia. O livro é um documento histórico que fica para memória futura, pois penso ser interessantíssimo sabermos o que foi o futebol. E a história dos clubes confunde-se com a história das comunidades”, refere o jornalista.
Os “pequenos segredos” do futebol baixo-alentejano sucedem-se em cada página do livro.
Ali podemos ainda ficar a saber que em Barrancos “o futebol começou na mina da Apariz” e em Odemira, na década de 20, foi uma família inglesa, proprietária de uma fábrica de cortiça que fomentou o jogo da bola até ao nascimento do Odemirense.
Em Castro Verde, recorda José Saúde, “há três ‘Castrenses’” – “Um que surgiu nos anos 20. Depois um segundo que surgiu em 1936 e que revitalizou o primeiro. E finalmente a fundação do actual Castrense, nos anos 50. Por isso digo que em Castro Verde há três FC Castrense”, graceja.

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Correio Alentejo

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