Está criado um verdadeiro “impasse” na Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo, que continua sem ter executivo passado mais de um mês sobre as eleições Autárquicas, com CDU e PS a trocarem entre si muitas críticas e acusações.
Nas eleições de 12 de outubro, a lista da CDU conquistou aos socialistas a reposta Junta de Ferreira do Alentejo (que estava agregada com a de Canhestros) por uma diferença de apenas 30 votos, mas não garantiu maioria absoluta. Contas feitas, os comunistas elegeram quatro membros para a Assembleia de Freguesia, tal como o PS, a que se junta mais um eleito pelo Chega.
Este quadro de forças tem feito com que, ao longo de várias sessões, não tenha sido possível alcançar a eleição do executivo da Junta de Freguesia, com PS e CDU a dirimirem argumentos, com muitas acusações e fortes críticas “à mistura”.
Em comunicado, o PS reconhece que “a lei diz que o partido vencedor fica imediatamente com o presidente da Junta”, mas lembra que, de acordo com a mesma lei, “os outros dois membros que têm de compor a Junta, secretário e tesoureiro, são eleitos pelos nove membros da Assembleia de Freguesia e, nesta, a CDU só tem quatro membros”.
“Como é possível que a CDU queira aqui impor, para si, uma maioria absoluta, se só tem quatro votos em nove”, afiançam o socialistas, indicando que a presidente eleita, a comunista Sandra Albino, “claramente manipulada de fora, só propõe sempre a mesma solução, em que a CDU fica com a maioria absoluta, ao contrário do que resultou das eleições”, o que a maioria dos membros eleitos não aprova.
Segundo o PS, a CDU “não pode querer governar com a maioria que não tem” e, por isso, defende que sejam realizadas novas eleições para a Junta de Freguesia de Ferreira do Alentejo.
CDU conquistou aos socialistas a reposta Junta de Ferreira do Alentejo (que estava agregada com a de Canhestros) por uma diferença de apenas 30 votos, mas não garantiu maioria absoluta.
“Perante a ausência sistemática de propostas credíveis e a persistência da tentativa da CDU de governar como se tivesse maioria absoluta, o PS desafia a CDU e o Chega a permitir que o povo decida novamente”, advogam os socialistas, garantindo estarem preparados “para ir a eleições” e “assumir, com transparência e responsabilidade, o compromisso de devolver estabilidade e governabilidade” à Junta de Freguesia.
A proposta de realização de novas eleições para a Junta de Ferreira do Alentejo é liminarmente recusada pela CDU, que acusa o PS de querer impor esta solução “apenas porque o resultado legítimo não corresponde às suas expectativas”, numa “tentativa lamentável de subverter o escrutínio democrático” e “desrespeitando de forma grave a soberania popular”.
“É essencial afirmar, com total clareza: o PS perdeu as eleições para a Junta de Freguesia”, lembram os comunistas em comunicado enviado ao “CA”, afiançando que a CDU “não reivindica qualquer maioria absoluta que não tenha resultado do sufrágio”.
“O que a CDU exige é simples e legítimo: que o PS assuma as suas responsabilidades enquanto força minoritária e viabilize o funcionamento da autarquia, conforme decorre das regras democráticas e do interesse coletivo”, lê-se no comunicado, que lembra que o cabeça de lista do PS, Albano Fialho, e o segundo candidato da lista, João Correia, “já tornaram pública a sua indisponibilidade para integrar o executivo”.
Para a CDU, o PS e o presidente do município, Luís Pita Ameixa, estão a assumir “uma estratégia de bloqueio que apenas prejudica Ferreira do Alentejo”, o que classifica como “uma postura incompreensível num partido e num político que, nos últimos oito anos, viu sucessivamente a sua expressão eleitoral diminuir de forma acentuada”.












