Greve em Neves-Corvo com adesão "bastante significativa"

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A greve dos trabalhadores da mina de Neves-Corvo contra a laboração contínua, que dura há um mês e termina domingo, 29, tem registado uma adesão "bastante significativa".
A greve, que arrancou no passado dia 24 de Novembro e inclui a paralisação do trabalho aos domingos até ao próximo domingo, "tem tido uma adesão bastante significativa" dos cerca de 300 trabalhadores afectados, indica à Agência Lusa Jacinto Anacleto, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), escudando-se a indicar números.
Após a actual greve, "os trabalhadores estão dispostos a continuar a lutar" para exigir a reposição do anterior regime laboral, ou seja, de segunda a sexta-feira, frisa, referindo que, no início do próximo ano, os trabalhadores vão reunir-se em plenário para "decidirem novas formas de luta a adoptar".
Através da greve, os trabalhadores pretendem manifestar o seu "desagrado" em relação ao regime de laboração contínua (24 horas por dia, sete dias por semana), que é "muito violento para um trabalho no interior da mina já de si muito penoso e que comporta muitos riscos", explica Jacinto Anacleto.
No regime de laboração contínua, frisa, os trabalhadores, divididos por três turnos, trabalham aos sábados, domingos e feriados como se fossem dias normais e têm intervalos de descanso "muito curtos", já que "trabalham cinco dias seguidos e só descansam um".
A laboração contínua, aplicada a cerca de 300 pessoas, é "prejudicial para a saúde dos trabalhadores" da mina, porque lhes provoca "grande desgaste físico e psicológico", o que "acaba por ter reflexos negativos na segurança e na produção dos trabalhadores", alerta o sindicalista, referindo que "os acidentes de trabalho aumentaram".
Segundo Jacinto Anacleto, os trabalhadores, por várias vezes e de diferentes formas, manifestaram o seu desagrado pelo regime de laboração contínua, devido, "por um lado, à penosidade do trabalho no interior da mina e, por outro, às graves implicações na saúde e na vida pessoal e familiar".
No entanto, a administração da concessionária das minas de Neves-Corvo, a Somincor, "utilizando diversas formas de pressão" e apesar de saber que o regime de laboração "não era e continua a não ser conveniente para os trabalhadores", "decidiu impô-lo na empresa".
Contactada pela Lusa, fonte oficial da Somincor disse que a administração da empresa não presta declarações sobre o assunto.

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Correio Alentejo

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