GNR confirma abate ilegal de eucaliptos na Mina de S. Domingos

GNR confirma abate ilegal de

A GNR elaborou duas contra-ordenações cometidas pela Câmara de Mértola, uma por abate ilegal de eucaliptos e outra por abertura de vias de comunicação em zona protegida.
No passado dia 10 de Outubro, o coordenador do Centro de Estudos da Mina de São Domingos, Luís Baltazar, acusou a Câmara de ter ilegalmente abatido eucaliptos e aberto acessos na zona de protecção da albufeira da Tapada Grande, junto àquela aldeia, mas o presidente do Município negou a ilegalidade.
Num comunicado enviado esta segunda-feira, 4, à Agência Lusa, Luís Baltazar refere que a GNR, após investigações, concluiu ter havido "ilegalidade" nos actos cometidos pela Câmara de Mértola e elaborou dois autos de notícia por contra ordenações, os quais foram enviados para as autoridades competentes para instauração dos processos e aplicação das respectivas coimas.
Contactado pela Lusa, o oficial de relações públicas do Comando Territorial de Beja da GNR, tenente-coronel José Rosa, confirmou que o Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da guarda elaborou os dois autos de notícia por contra-ordenações cometidas pela Câmara de Mértola.
Segundo informações da GNR, prestadas por Luís Baltazar, um dos autos de notícia, enviado para a Agência Portuguesa do Ambiente, deve-se ao corte de eucaliptos junto a uma linha de água da albufeira da Tapada Grande sem o devido licenciamento.
O outro auto de notícia, enviado para a Inspecção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, deve-se à abertura de novas vias de comunicação em área protegida.
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Mértola, Jorge Rosa, escusou-se a prestar mais declarações sobre o assunto, enquanto estiver a decorrer o processo interno aberto pela autarquia para averiguar o que se passou.
O autarca disse apenas que não teve conhecimento prévio da decisão de abater eucaliptos e abrir novas vias de comunicação na zona de protecção da albufeira da Tapada Grande.
"É com profunda consternação que se verifica a violação de um instrumento legal [Plano de Ordenamento da Albufeira da Tapada Grande] precisamente pela instituição [Câmara de Mértola] que a nível local tem a obrigação de zelar pelo ordenamento do território", lamentou Luís Baltazar.
Independentemente da aplicação das coimas, que, "muito provavelmente", serão pagas "com o dinheiro dos contribuintes", "ficou provada a ilegalidade", frisou.
Segundo Luís Baltasar, a ilegalidade "deverá ter como consequência prática e imediata, além dos danos na qualidade ambiental da albufeira, a perda da muito aclamada bandeira azul" da praia fluvial da Tapada Grande, "a única atribuída a uma zona balnear interior em todo o Alentejo", o que poderá provocar "impactos negativos" no turismo local e regional.

Partilhar

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Correio Alentejo

Artigos Relacionados

Role para cima