Ferreira do Alentejo: Trabalhos arqueológicos recomeçam no Monte da Chaminé

Ferreira do Alentejo: Trabalhos arqueológicos recomeçam no Monte da Chaminé

Os trabalhos arqueológicos na “villa” romana do Monte da Chaminé, em Ferreira do Alentejo, recomeçaram hoje, para os arqueólogos confirmarem a área do lagar de azeite identificado e a eventual ocupação do sítio em período visigótico.
A 11.ª campanha arqueológica na “villa”, que foi ocupada entre os inícios do século I a.C. e até ao século V d.C. e foi descoberta em 1981, a cerca de três quilómetros de Ferreira do Alentejo, vai decorrer até 16 de Setembro.
Além dos responsáveis científicos, a historiadora Sara Ramos e os arqueólogos Clementino Amaro e Maria João Pina, a campanha vai envolver um total de 20 alunos voluntários de licenciaturas e mestrados em Arqueologia de várias universidades portuguesas.
As escavações da campanha deste ano vão centrar-se na zona de produção industrial da “villa” para se “confirmar a área do lagar de azeite identificado e ver qual a sua dimensão e o seu índice de produtividade”, explicou hoje à agência Lusa Clementino Amaro, que descobriu o sítio juntamente com o arqueólogo Manuel Barreto.
“Ferreira do Alentejo é um dos concelhos onde mais se está a apostar no olival e na produção de azeite e, portanto, há todo o interesse em investir num lagar de azeite da época romana”, frisou.
No ano passado, na zona do lagar de azeite “começaram a aparecer estruturas precárias que podem corresponder a um prolongamento da ocupação da ‘villa’ romana já em período do Baixo Império ou mesmo do século VI e início do século VII, ou seja, já numa época de ocupação visigótica”, explicou.
“A eventual ocupação da ‘villa’ em período visigótico é um dos dados que vamos procurar confirmar este ano”, disse.
A “villa” é já um dos núcleos do Museu Municipal de Ferreira do Alentejo e a intenção da câmara municipal é continuar a escavar e a estudar o sítio, para, “em devido tempo”, avançar-se com a conservação e musealização, para que possa ser visitado pelo público, disse.
As primeiras seis campanhas de escavações na “villa” decorreram entre 1981 e 1988, quando os trabalhos foram suspensos.
Durante aquele período foram descobertas e escavadas várias estruturas que fazem parte da casa principal da “villa”, ou seja, uma parte do centro da casa (o peristilo) e três divisões circundantes.
Anexo à casa, na zona de produção industrial da “villa”, foram descobertos um sobrado para conservação de cereais, que já está definido e escavado, um lagar de azeite e um armazém de conservação de talhas de azeite, disse Clementino Amaro.
Após 20 anos parados, os trabalhos arqueológicos na “villa” foram retomados em Agosto de 2008 e, desde então, tem sido possível por a descoberto toda a parte restante do peristilo e da zona agrícola.
Os vestígios encontrados até agora, entre estruturas e o espólio exumado, que pode ser apreciado no Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, apontam para uma “villa” “muito importante” e que “é um dos pilares de apoio ao conhecimento que se vai desenvolvendo sobre a produção agropecuária no Alentejo romano”, disse Clementino Amaro.

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Correio Alentejo

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