Tulipas, lírios e outras flores destinadas ao famoso mercado holandês vão começar a ser produzidas na freguesia de Montes Velhos. O projecto é da responsabilidade de uma empresa holandesa, que já está no terreno e se prepara para plantar perto de seis hectares de flores ao ar livre.
“Assim que o tempo o permita vão começar a plantar. Depois vão preparar bouquets com as flores e exportam tudo preparado, tendo já cá uma câmara de frio que trouxeram da Holanda”, conta ao “CA” o presidente da Associação de Beneficiários do Roxo (ABR), António Parreira.
Para já, continua o mesmo responsável, os investidores holandeses criaram oito novos postos de trabalho, que terão inevitavelmente de aumentar se a empresa concretizar o projecto de alargar a produção até 100 ou 200 hectares de flores ao ar livre, que plantarão em dois períodos do ano: umas entre Outubro e Novembro para colher em Abril e Maio; e outras por volta de Abril e Maio, que terão colheita em Setembro e Outubro.
Investimentos no horizonte
A produção de flores em Montes Velhos é o primeiro novo investimento concretizado nos cerca de 5.000 hectares (que passarão a perto de 25 mil em 2013) servidos pelo perímetro de rega do Roxo desde que em Julho de 2010 a albufeira situada entre os concelhos de Aljustrel e Beja foi ligada a Alqueva.
Desde então, a ABR tem vindo a encetar contactos com potenciais interessados, nomeadamente com empresas hortícolas do Ribatejo e com os responsáveis pela região andaluza de Cartaya, com a qual a Câmara de Aljustrel tem um protocolo de cooperação. Sobre a mesa está igualmente a possibilidade de surgir no Roxo um investimento ligado à plantação de plantas para a produção de bio-energias por parte de um empresário indiano.
Mais adiantado está o projecto de criação de um entreposto comercial de frio em Montes Velhos, nas instalações da antiga fábrica de transformação de tomate local, que estão a ser recuperadas para o efeito e já acolhem, precisamente, a câmara frigorífica para as flores que seguirão para a Holanda.
Mais água… e trabalho!
Todo este leque de possíveis investimentos surge porque o Roxo pode agora “oferecer” aos interessados aquilo que até Julho do último ano não podia: água em abundância em todas as alturas do ano. “Como já não temos o espectro da falta de água, podemos pensar em todos os projectos possíveis e garantir a quem queira vir investir para o Roxo que não terá falta de água em ano nenhum”, explica António Parreira.
Mas apesar desta mais-valia, ainda há muito por fazer na área de influência do Roxo e o presidente da ABR encara mesmo 2011 como um ano de “muito trabalho” que será fundamental para a vida da própria associação. “Vai ser um ano de grandes definições”, garante.








