Doenças cardiovasculares acima da média no distrito de Beja

Doenças cardiovasculares acima da média no distrito de Beja

É um problema antigo em todo o país que, no distrito de Beja, atinge números acima da média – as doenças do coração estão no topo das patologias que afectam os alentejanos e, em grande parte, esse quadro resulta do envelhecimento da população, mas também dos seus hábitos alimentares pouco cuidados e do grande sedentarismo.
“Beja é um dos distritos do país com maior patologia cardiovascular, nomeadamente a patologia coronária, como a angina de peito ou o enfarte do miocárdio”, esclarece Luís Moura Duarte, médico cardiologista no Hospital de Beja, onde cuida dos corações da nossa terra há cerca de 14 anos.
Quando comparados os valores absolutos e, sobretudo, os valores relativos face à população existente em todo o país, geralmente o Baixo Alentejo, o Algarve e a região autónoma dos Açores apresentam a mais alta percentagem de doenças cardiovasculares.
No caso do distrito de Beja, esse quadro tão complicado tem a ver com vários factores.
Nomeadamente a alimentação, que causa “uma forte incidência” na hipertensão arterial e outras situações de risco associadas, como o acidente vascular cerebral (AVC).
O tabagismo e a idade média muito avançada da população são outras causas do problema.
“Quanto mais alta for a idade maiores são as probabilidades de ter uma doença cardiovascular”.
Os resultados não são bons e o médico Luís Moura Duarte assegura que, na última década, não há alterações significativas quanto à incidência da doença no distrito de Beja. Nem para melhor nem para pior!
“Os números são estáveis e não têm vindo a baixar”, explica o cardiologista, admitindo que a evolução e maior competência dos tratamentos tem responsabilidades nesta estabilização.
“Temos mais doentes operados, com angioplastias ou “pacemakers”. E há mais tratamentos”, adianta o médico, salvaguardando que a doença do coração é completamente diferente de qualquer outra.
“Quando nós temos uma pneumonia e tomamos antibióticos, o problema fica resolvido. Quando temos um enfarte e o doente é internado, faz cateterismo ou geoplastia e vai para casa medicado. Esta pessoa, ao fim de dois, três ou cinco anos continua a ser um doente cardíaco. Não se pode dizer que o doente está curado. Pode-se dizer que está controlado! Há aí uma diferença”, explica.

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Correio Alentejo

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