Dirigentes associativos fazem "raio X" à agricultura do Baixo Alentejo

Dirigentes associativos fazem "raio X" à agricultura do Baixo Alentejo

Seca, atraso do Alqueva, “burocracias”, desvalorização dos preços dos produtos, envelhecimento e, claro, a crise económica – são estas as maiores “dores de cabeça” dos agricultores do Baixo Alentejo, numa altura em que o regresso à terra é apontado como a prioridade das prioridades para o reequilíbrio da deficitária balança comercial do país, mais importador que exportador de produtos agro-alimentares.
“A preocupação principal e mais imediata é, sem dúvida, a falta de chuva. E logo a seguir vem a indefinição [em torno] do projecto de Alqueva”, sintetiza ao “CA” o presidente da direcção da União das Cooperativas Agrícolas do Sul (Ucasul) e da mesa da Assembleia Geral da Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches.
Luís Mira Coroa lamenta igualmente que os preços dos produtos agrícolas continuem “baixos, apesar do consumidor não sentir essa grande baixa”, apontando o dedo à concorrência dos produtos “de outros países, que não têm Segurança Social, segurança alimentar ou preocupações ambientais”.
Alqueva e a seca estão também no centro das preocupações do presidente da Associação de Agricultores do Concelho de Serpa (AACS), que acrescenta mais um motivo de apreensão: os atrasos verificados no processo de candidaturas às ajudas comunitárias, que termina em meados de Maio.
“Este ano, e devido à rectificação do parcelário, em Portugal começou-se tardiamente a fazer essas candidaturas. […] A maioria dos agricultores está a ter imensas dificuldades e a entrar em desespero total. E não ouvimos por parte do Ministério da Agricultura nenhuma explicação. Esta é uma preocupação muito grande, porque estão em risco as candidaturas e as ajudas comunitárias que por direito são dos agricultores”, sublinha Sebastião Rodrigues.
Já o presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB) acrescenta a elevada idade da maioria dos homens da terra a este rol de problemas da agricultura baixo-alentejana.
“Isso é motivo de alguma preocupação”, vinca José da Luz Pereira, sem esquecer a falta de chuva, a crise económica ou os “preços excessivos” dos factores de produção e da alimentação dos animais.
“São preços em constante subida e em contrapartida os preços da produção não acompanham de maneira nenhuma esse ritmo. Pelo contrário, estão sempre em desvalorização”, afiança.

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Correio Alentejo

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