Daniel Luz constrói guitarras em S. Teotónio

Daniel Luz constrói

Daniel Luz, de São Teotónio, construiu o primeiro instrumento quando tinha apenas 20 anos e assim nasceu a paixão que o continua a mover nos dias de hoje, já com 76 anos.
“Construir instrumentos musicais é uma paixão! Uma pessoa que comece a fazer isto dificilmente deixa de o fazer”, admite sem complexos aos “CA”, enquanto vai tamborilando os dedos no tampo da mesa de trabalho na oficina de sua casa, à entrada de São Teotónio.
Em seu redor há ferramentas, instrumentos terminados e outros em construção, tiras de madeira acomodadas aqui e ali. Cheira levemente a cola.
É neste o ambiente que Daniel Luz passa grande parte dos seus dias, construindo violas e guitarras. Começou por brincadeira e continuou a fazê-lo nos tempos livres que tinha quando trabalhava na construção civil. Mas assim que se reformou, assumiu a paixão a tempo inteiro.
“Há 11 anos que me dedico só a isto. Levei sempre uma vida muito activa e não podia parar. Senão já tinha morrido”, diz a sorrir.
A sua paixão tornou-se arte. Hoje Daniel Luz tem violas e guitarras espalhadas pelos quatro cantos do país… e não só!
“Tenho instrumentos na Grécia, em Israel, na América, França, Alemanha, Itália, Espanha… em todo o lado”, revela o “mestre” Daniel, não escondendo que nos últimos tempos o que mais lhe têm encomendado são violas campaniças.
“Está na moda e agora todo o mundo quer uma, uns para tocar e outros para a meter na parede”.
Uma viola campaniça construída por Daniel Luz pode chegar aos 600 euros e uma guitarra portuguesa aos 1.000. É tudo feito à mão, horas a fio e com paciência de ourives.
“Há cortes muito exactos que não podem ter um milímetro de diferença sequer. É um trabalho de precisão, de paciência e de gosto”, explica, adiantando que só utiliza madeiras vindas do estrangeiro.
“A madeira com que trabalho mais é pau-santo da Índia”, diz.
Apesar dos ventos de crise que continuam a soprar em Portugal, Daniel Luz não se queixa do negócio.
“Tenho tanto trabalho em mãos que daqui a um ano ainda não o tenho acabado”, garante.
“Neste momento estou a fazer 10 instrumentos ao mesmo tempo, quase não dou conta… Mas isso é bom sinal”.

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Correio Alentejo

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