Cuidadores têm um papel essencial

Cuidadores têm um papel essencial

Uma das “chaves” para o sucesso da Unidade Domiciliária de Cuidados Paliativos (UDCP) de Mértola são os cuidadores, por norma os cônjuges e/ou os filhos dos utentes apoiados.
“O cuidador tem de existir. É um parceiro e nós ‘treinamos’ o cuidador, para que quando acontecer determinada situação ele saiba o que fazer e que resposta dar” no momento, vinca Cidália Guerreiro, reconhecendo que “ser cuidador 24 horas por dia é muito desgastante”.
Que o diga Otília Santana, apoiada pela UDCP de Mértola há cerca de três anos. “Isto exige muito trabalho e às vezes é muita confusão. Há momentos em que ele está muito agitado e a gente tem que ter muita paciência”, confidencia ao “CA”. “Não é fácil lidar com uma pessoa que tem esta doença há 14 anos”, acrescenta com resignação.
As técnicas da UDCP visitam Otília e o marido Eugénio todas as semanas. “É muito importante para mim esta ajuda. E para ele também! Por exemplo, medem-lhe a tensão, caso contrário tinha de me deslocar a Mértola, de ambulância, e assim é mais fácil”, diz, não escondendo aquele que é o seu grande desejo. “Sei que a doença [do meu marido] está lá… Só quero que ele tenha qualidade de vida enquanto cá está”.
Na aldeia da Mesquita, na zona sul do concelho, vive José Paulino, 91 anos, outro dos utentes apoiados pela UDCP. “Vêm cá a casa, fazem-me perguntas sobre como vou, medem a tensão, ajudam-me com os medicamentos… É uma boa ajuda”, conta este antigo agricultor.
José Paulino tem como “cuidadoras” as três filhas. Todas vivem longe da aldeia (duas no Algarve e um em Lisboa), daí que se revezem nesse papel e contem com a ajuda inestimável da UDCP. “É um apoio importante, porque não estamos tão sozinhas e se tivermos algumas dúvidas sabemos que há ali uma referência. Também vêm cá a casa e conversam um bocado com ele”, conta a filha Maria Bárbara Cruz, reiterando a ideia de que o papel de cuidador é mesmo “muito exaustivo”. “À noite não descansamos, pois tem de estar sempre alguém de serviço”, conclui.

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Correio Alentejo

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