Cercicoa celebra 40 anos de crescimento

Cercicoa

Foi no dia 10 de Outubro de 1979 que o sonho se tornou realidade. Nesse dia, um grupo de pais e amigos de crianças portadoras de deficiência deram as mãos e ajudaram a nascer a Cercicoa-Cooperativa de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas e Solidariedade Social dos Concelhos de Castro Verde, Ourique e Almodôvar. Quatro décadas depois, o trabalho à vista é mais que evidente e a instituição, que tem sede em Almodôvar, é actualmente um pilar essencial na intervenção social realizada nesta área no território.
“Temos a sensação que não ficámos parados no tempo e que tem havido alguma ‘hiperactividade’ por parte da nossa equipa, por forma a fazer coisas novas e ir adaptando os serviços às novas exigências”, admite ao “CA” o presidente da Cercicoa, destacando ainda outra “marca” da instituição: “a abrangência”. “O impacto da instituição no território vale pelo seu todo, ou seja, pelo conjunto de valências e respostas diversas que temos e que vão desde os zero aos 100 anos. Neste momento temos valências que cobrem todas as faixas etárias e temos vindo a trabalhar para responder a todas as pessoas que necessitam da nossa ajuda”, frisa com orgulho António Matias.
“Tem sido um desafio que temos conseguido concretizar. Temos tentado dar resposta a esta missão, sempre com novos projectos, para dar resposta a todas as famílias e a todos os clientes que temos”, complementa Sandra Espírito Santo, presidente da Assembleia Geral da instituição.
Nos idos de 1979, a Cercicoa tinha como grande objectivo preparar “o melhor possível” as crianças portadoras de deficiência, visando a sua inclusão social. Desde então o trabalho não parou, sendo que em 2019 a cooperativa tem como “missão” promover a qualidade de vida dos seus clientes, através da prestação de serviços técnicos especializados e diversificados nas áreas da capacitação de pessoas da promoção da auto-determinação.
Para alcançar estas metas a Cercicoa conta com as valências de Lar-Residencial, Centro de Actividades Ocupacionais (CAO), Formação Profissional, Residência Autónoma, Intervenção Precoce, Centro de Recursos para a Inclusão (CRI), Centro de Recursos Local, Programa de Apoio a Pessoas mais Carenciadas, programa “Incorpora” e Centro de Apoio à Vida Independente.
“A nossa tentativa é sempre ir criando novas estruturas noutros concelhos” que não apenas Almodôvar, enfatiza António Matias, explicando que, no total, são 493 as pessoas beneficiadas por todas estas respostas, que contam com um total de 63 colaboradores. “Temos uma equipa heterogénea, multidisciplinar e transdisciplinar. Os técnicos das diversas áreas complementam-se e trabalham em conjunto. E isto é um pouco o resultado destes 40 anos”, reforça.
Ao longo destes 40 anos a Cercicoa tem conseguido “levar a carta a Garcia” e ir aumentando a sua capacidade de resposta. Ainda assim, o presidente da cooperativa reconhece que tudo se deve a muito trabalho e persistência, até porque os problemas sentidos no dia-a-dia são mais que muitos e de natureza diversa.
“O factor interioridade é uma grande dificuldade. E o factor escala também! Porque enquanto entidades congéneres que trabalham em meios urbanos têm um projecto para 100 pessoas, nós temos para 10… E esta escala para 10 pessoas, em termos de viabilidade económico-financeira, é muito difícil de executar”, afirma António Matias.
Para melhor ilustrar esta situação, o presidente da Cercicoa dá o exemplo da equipa do CRI, que só para ir a São Miguel do Pinheiro, no concelho de Mértola, necessita de toda uma manhã ou tarde. Ou seja, argumenta Matias, “isto só é viável se houver uma discriminação positiva para quem vive no interior”.
A isto junta-se ainda um quadro financeiro frágil, fruto dos financiamentos do Estado ficarem aquém do necessário e de qualquer prestação de serviço nos territórios do Interior custar bem mais que numa cidade, fruto das grandes distâncias que é preciso percorrer. Por isso mesmo, diz António Matias com bom humor, “vivemos permanentemente ‘no arame’ e temos desenvolvido algumas capacidades circenses de equilibrismo”. “Mesmo assim, e tendo em conta os últimos 20 anos, só em dois ou três anos é que tivemos saldo negativo”, frisa.
De acordo com este responsável, a Cercicoa vive “sempre no limite porque tem sempre muitas obras, muito investimento para fazer na renovação do parque automóvel e um grande quadro de pessoal”. “Por isso temos que ser muito imaginativos e muitas vezes temos que nos socorrer do apoio dos municípios. Os municípios são nossos parceiros fundamentais para que as coisas funcionem bem, sobretudo na área financeira e na disponibilização de recursos e infra-estruturas”, reforça.

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Correio Alentejo

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