Centenas de bejenses contestaram fim do comboio Intercidades entre Beja e Lisboa

Centenas de bejenses contestaram fim do comboio Intercidades entre Beja e Lisboa

Um “grupo de terroristas” tentou esta quarta-feira, 26, sem sucesso, “negociar” com habitantes de Beja a troca do Intercidades por uma automotora, numa representação durante um protesto contra o eventual fim das ligações directas daquele comboio entre Beja e Lisboa.
O protesto, que decorreu no início da noite junto à estação da CP de Beja, reuniu centenas de pessoas contra a intenção da transportadora de acabar com as ligações directas de Intercidades entre Beja e Lisboa, que passarão a ser feitas através de automotora diesel entre Beja e Casa Branca, onde será feito transbordo para comboio eléctrico até à capital.
Promovido pela Associação de Defesa do Património de Beja, o protesto serviu também para exigir a electrificação da linha ferroviária entre Beja e Casa Branca e a manutenção das ligações entre Beja e Funcheira, que permitem a ligação ao Algarve.
A representação teatral efectuada durante o protesto envolvia um alegado “grupo de terroristas contratado pela CP” para tentar “oferecer” aos habitantes de Beja uma antiga automotora.
“O futuro está nas automotoras. Temos para vos oferecer uma automotora com quase 100 anos e que ainda cheira a novo”, disse o “porta-voz” do grupo às pessoas concentradas, que responderam efusivamente: “Queremos o comboio Intercidades!”
Por sua vez, o “porta-voz” dos bejenses, que “negociou” com os “terroristas”, lembrou que no próximo “dia 11 de Fevereiro faz 147 anos que o comboio chegou a Beja e não pode ser a CP a calar toda esta história”.
“Queremos o Intercidades directo para Lisboa, a electrificação da linha e chegar a tempo e horas e com conforto ao Algarve”, reivindicou, “em nome” dos bejenses.
A representação “foi uma paródia que representa a realidade”, explicou aos jornalistas o presidente da Associação de Defesa do Património de Beja, Florival Baiôa, acusando a CP de estar a praticar uma “política de destruição” das ligações ferroviárias a Beja.
A intenção da CP é “muito preocupante e muito perigosa”, corroborou à Lusa Maria de Lurdes, de 56 anos, que mora em Beja e tem um filho a estudar em Lisboa.
“Muitas” famílias de Beja “têm os filhos a estudar em Lisboa” e “muitas pessoas”, sobretudo idosos, deslocam-se à capital para consultas ou exames médicos e “o comboio é um meio de transporte essencial para eles”, lembrou.
A Associação de Defesa do Património de Beja está a recolher assinaturas para uma petição que será entregue à Assembleia da República e quer reunir-se com os grupos parlamentares.
O serviço Intercidades (de Lisboa a Évora e a Beja) da Linha do Alentejo está suspenso devido a obras da REFER no troço Bombel/Vidigal-Évora, que vão decorrer até Maio.

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Correio Alentejo

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