Centenas contra a "troika" em Beja

Centenas contra a "troika" em Beja

Centenas de pessoas manifestaram-se este sábado, 2, em Beja numa iniciativa contra as medidas de austeridade do Governo, que incluiu duas concentrações e uma arruada.
O protesto, promovido pelo movimento "Que se lixe a ´troika`", começou às 16h00 no Largo do Museu Regional, onde os manifestantes se concentraram durante meia hora, empunhando cartazes com palavras de ordem.
Alguns cartazes tinham as fotografias dos líderes do PSD, CDS-PP e PS e frases como "Eles têm um pacto de agressão, nós temos o nosso de luta" e "Há tempo demais a levar com eles".
Um dos manifestantes, Joel Giliet, de 50 anos, francês, mas a viver há 20 anos em Portugal, tinha o seu número de identificação fiscal, com a ordem dos dígitos trocada, colado na testa e um cartaz ao peito, onde se podia ler: "Abaixo a escravatura fiscal".
"Estou completamente revoltado com a situação que se vive em Portugal. Não sou português, mas vivo, trabalho e pago impostos, cada vez mais, em Portugal e o que se vê é que estamos a ficar cada vez mais pobres", disse à Agência Lusa Joel, comerciante em Beja.
"As dificuldades deste povo é a razão pela qual estou aqui", acrescentou Joel, defendendo ser preciso "lutar" para a situação do país "mudar".
"Abril de novo, com a força do povo", "Gatunos", "Arrumar com as ´troikas` PSD/CDS-PP/PS, antes que elas arrumem connosco" e "Cavaco, Portas, Passos, Seguro e Sócrates, sei quem assinou o memorando" eram outras das frases dos cartazes.
Cerca das 16h30, os manifestantes, "embalados" pelas vozes do Grupo Coral de Baleizão, cantaram a canção "Grândola, Vila Morena", de Zeca Afonso, que o Movimento das Forças Armadas (MFA) escolheu para ser a segunda senha de sinalização da “Revolução dos Cravos”, a 25 de Abril de 1974.
Após cantarem a canção de intervenção, os manifestantes partiram para uma arruada por várias ruas de Beja, a qual durou meia hora e terminou na Praça da República, onde os manifestantes voltaram a concentrar-se.
"O povo unido jamais será vencido", "Passos escuta, o povo está em luta", "Impostos sociais, arre ´porra` que é demais", "A luta continua, o Governo para a rua" e "Desemprego em Portugal é vergonha nacional" foram algumas das frases ouvidas durante a arruada.
Na Praça da República, os manifestantes, mais uma vez embalados" pelo Grupo Coral de Baleizão, voltaram a cantar a canção "Grândola, Vila Morena", que marcou o fim do protesto, cerca das 17h30.
A "indignação com todos os roubos a que temos sido sujeitos e a deterioração das condições de vida da população" foram as razões que levaram António Patola, de 37 anos, carteiro, de Beja, a participar na manifestação, segundo disse à Lusa.
Já Sónia Calvário, de 38 anos, advogada de Beja, participou na manifestação devido ao seu "descontentamento" com a política do Governo.
"Isto assim não pode continuar", disse, defendendo que "o Governo devia ter a dignidade, a pouca dignidade que ainda lhe possa restar, para se ir embora".

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Correio Alentejo

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